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Entre 2022 e agosto de 2025, os Cartórios de Registro de Imóveis do Brasil recuperaram 98,2% dos valores referentes a empréstimos imobiliários não quitados, somando R$ 125 bilhões. Os dados abrangem 1.031.066 pedidos de execução de alienação fiduciária apresentados pelos bancos. Nesse modelo de operação, lastreado na segurança do registro imobiliário, o imóvel é oferecido como garantia para obtenção do financiamento.
Pela regra da alienação fiduciária, o devedor transfere a propriedade do imóvel ao credor, geralmente um banco, até a quitação integral da dívida. Durante o período de pagamento, o tomador mantém a posse direta do imóvel e pode utilizá-lo normalmente. Se houver inadimplência, o credor tem o direito de retomar o bem e levá-lo a leilão público para saldar o débito.
A evolução dos números mostra o avanço do uso da alienação fiduciária no país, acompanhado por um aumento da inadimplência no financiamento imobiliário.
Em 2022, foram registrados 234.076 pedidos de execução, com R$ 17 bilhões recuperados. Em 2023, o número subiu para 295.339 execuções, movimentando R$ 34 bilhões, um salto de 100% em valores. Já em 2024, os cartórios contabilizaram 309.053 execuções, que resultaram em R$ 51 bilhões recuperados, consolidando o mecanismo como a principal garantia do mercado nacional. Em 2025, apenas até agosto, foram 198.076 execuções, totalizando R$ 22 bilhões.
Segundo Juan Pablo Correa Gossweiler, presidente do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), órgão responsável pela migração dos serviços registrais imobiliários para o meio eletrônico, “os números demonstram a eficiência e a segurança jurídica do sistema de garantias imobiliárias no Brasil, que permite a recuperação célere dos créditos e contribui diretamente para a redução do risco e do custo do crédito no país”.
O procedimento permite recuperar de maneira rápida o valor emprestado em casos de inadimplência, já que a retomada do imóvel ocorre de forma mais ágil do que em outros formatos. A eficiência dos Cartórios de Registro de Imóveis também reduz o risco do crédito, fator que impacta diretamente na queda das taxas de juros dos financiamentos.
Ainda segundo o levantamento conduzido pelo ONR, R$ 14 bilhões em créditos foram recuperados por meio da transferência direta do imóvel ao credor, mecanismo previsto em lei que garante liquidez imediata.