Foto: Freepik
O Programa Justiça 4.0 capacitou 4.339 pessoas em 41 cursos autoinstrucionais e seis síncronos, ofertados a servidoras e servidores do Judiciário, magistradas e magistrados e sociedade em geral, durante todo o ano passado. Foi a primeira vez que as capacitações atraíram mais o público externo, responsável por metade das pessoas certificadas em 2025.
O juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e coordenador do Programa, João Felipe Menezes Lopes, celebra a maior participação do público externo ao sistema de justiça e destaca a importância das ações de qualificação. “Esse alcance das capacitações reflete o avanço no desenvolvimento de soluções que transformam a Justiça e comprova a interação da sociedade com os serviços digitais do Judiciário”, afirmou.
Para o magistrado, ao promover a disseminação do conhecimento, o CNJ fortalece a qualificação dos profissionais e contribui com a preparação de todos os atores que, direta ou indiretamente, interagem com o sistema de justiça. “O investimento em formação é estratégico para garantir mais eficiência, transparência e acesso à Justiça, em benefício de todas as pessoas”, disse.
Os cursos on-line e gratuitos buscaram ampliar conhecimentos e desenvolver competências em áreas como inteligência artificial (IA), linguagem de programação, gestão de projetos e análise de dados. Também prepararam os participantes para usar as soluções tecnológicas desenvolvidas no âmbito do Justiça 4.0, como o Domicílio Judicial Eletrônico, o Sistema Nacional de Gestão de Bens (SNGB) e o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP 3.0).
Desde o início das capacitações, em 2022, o Programa já contabiliza mais de 21,5 mil pessoas formadas em 61 cursos, reforçando o papel da iniciativa na disseminação do conhecimento sobre inovação e tecnologia aplicada à Justiça.
Mais procurados
Em todo o ano, mais de 16 mil pessoas se matricularam nos cursos ofertados. O número é superior ao de certificações, que são condicionadas à realização de avaliações.
Entre as formações autoinstrucionais, destacam-se os cursos Apoia — Capacitação para Utilização, Introdução à Inteligência Artificial para o Poder Judiciário e Sisperjud, que somaram 5.578 matrículas, o equivalente a 37% dos inscritos nessa modalidade. O público externo e os profissionais da Justiça Estadual foram os segmentos com maior número de matrículas.
Nas capacitações síncronas, a procura apresentou distribuição mais equilibrada entre os públicos, com destaque para os cursos de Python Avançado para Ciência de Dados, Power BI Avançado para Análise de Dados, Mineração de Textos Avançado e Processamento de Big Data em R e Python. Nesse grupo, 48,4% dos inscritos eram vinculados à Justiça Estadual.
Ao todo, 3.537 pessoas concluíram os cursos autoinstrucionais em 2025. Desse total, 50,2% pertenciam ao público externo ao Judiciário e 36,5% eram profissionais da Justiça Estadual, com destaque para participantes dos Tribunais de Justiça de Rondônia (TJRO), do Rio Grande do Sul (TJRS) e da Bahia (TJBA).
Na modalidade síncrona, 62,8% das 1.278 pessoas que se matricularam concluíram o curso, sendo quase metade dos participantes certificados oriundos dos tribunais da Justiça Estadual.
Próximas capacitações
Para 2026, está previsto o lançamento de 25 capacitações, especialmente nas áreas de desenvolvimento de sistemas e ciência de dados. Os próximos cursos autoinstrucionais serão Relatórios e Automações Profissionais com R, Processamento de Big Data em R e Python, Mineração de Textos Avançada, R Avançado para Ciência de Dados, Power BI Avançado para Ciência de Dados e Python Avançado para Ciência de Dados.
Também estão previstos treinamentos no uso de ferramentas nacionalizadas pelo Programa Conecta, como Berna, DikaIA, Bastião e Promptus, além dos cursos síncronos em Machine Learning Avançado e Aplicações e Dashboard Avançado com R.
Nova plataforma
Em 2025, o CNJ migrou seus cursos para a Escola Nacional do Judiciário (Enaju), que deverá retornar as atividades em fevereiro deste ano. Ao integrar suas capacitações à plataforma de ensino a distância (EaD) do Poder Judiciário, o Justiça 4.0 ampliou o alcance das formações e fortaleceu a estratégia de aprendizado contínuo.
Para a gerente da Assessoria de EaD do programa, Gladis Maddalozzo, a mudança contribuiu para dar mais visibilidade às iniciativas desenvolvidas e facilitar o acesso aos conteúdos. “Com os cursos disponíveis na Enaju, ampliamos a capilaridade das formações e alcançamos um público ainda mais diverso. A capacitação contínua é um dos pilares da transformação digital do Judiciário brasileiro. Ao investir na formação de magistradas e magistrados, servidoras e servidores, e ao abrir essas oportunidades para a sociedade, o CNJ fortalece uma cultura de inovação, qualifica o uso das novas tecnologias e contribui para uma Justiça mais eficiente, acessível e alinhada aos desafios do presente e do futuro”, afirma.
Programa Justiça 4.0
Iniciado em 2020, o Programa Justiça 4.0 é fruto de um acordo de cooperação firmado entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com apoio do Conselho da Justiça Federal (CJF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior do Trabalho (TST), do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Seu objetivo é desenvolver e aprimorar soluções tecnológicas para tornar os serviços oferecidos pela Justiça brasileira mais eficientes, eficazes e acessíveis à população.