Opinião

Direito Ambiental: 7 temas que dominam a agenda jurídica atual

Os debates que buscam conciliar preservação ambiental e segurança jurídica

2 de março de 2026

Advogada Renata Franco de Paula Gonçalves Moreno. Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Por Renata Franco de Paula Gonçalves Moreno*

O início do ano costuma ser um período de reflexão e planejamento, quando se analisam os temas que marcaram a agenda recente e aqueles que tendem a produzir efeitos ao longo dos próximos meses. No campo ambiental, esse exercício se mostra ainda mais relevante diante da intensidade dos debates jurídicos e institucionais que vêm se consolidando.

Nesse contexto, o Direito Ambiental atravessa um dos períodos mais dinâmicos de sua história. Diante da crise climática, do avanço de grandes empreendimentos, da pressão sobre recursos naturais e da crescente judicialização de conflitos ambientais, o tema deixou de ser apenas setorial para ocupar posição central na agenda jurídica, econômica e institucional.

No Brasil e no cenário internacional, alguns temas se destacam pela sua relevância prática e impacto normativo. 

  1. Licenciamento ambiental e segurança jurídica

O debate em torno da Lei Geral do Licenciamento Ambiental reacende a tensão entre desenvolvimento econômico, proteção ambiental e previsibilidade regulatória. A flexibilização de procedimentos, a ampliação de licenças autodeclaratórias e a redefinição de competências federativas têm gerado intensos questionamentos jurídicos e institucionais.

  1. Mudanças climáticas e litigância climática

A judicialização da política climática é uma tendência irreversível. Ações judiciais passaram a exigir do Poder Público e do setor privado a implementação efetiva de metas de redução de emissões, adaptação climática e cumprimento de compromissos internacionais, reforçando o papel do Judiciário na governança ambiental. 

  1. Povos indígenas, comunidades tradicionais e uso do território

A decisão do STF sobre o marco temporal trouxe novos contornos ao debate fundiário, ambiental e constitucional. Além da demarcação de terras, discute-se a proteção de biomas, a consulta prévia prevista na Convenção 169 da OIT e a responsabilidade ambiental em territórios tradicionalmente ocupados. 

  1. Biodiversidade, desmatamento e recuperação ambiental

A aplicação do Código Florestal segue no centro das disputas jurídicas, especialmente quanto às áreas consolidadas, ao CAR, ao PRA e às obrigações de recomposição ambiental. A responsabilização por desmatamento ilegal permanece como tema recorrente no contencioso ambiental. 

  1. Resíduos sólidos e economia circular

A implementação da logística reversa e a responsabilização de toda a cadeia produtiva consolidam a transição do modelo linear para a economia circular, com impactos diretos para empresas, municípios e consumidores. 

  1. Responsabilidade civil ambiental

A responsabilidade objetiva e solidária continua sendo pilar do Direito Ambiental, com discussões relevantes sobre nexo causal, dano moral coletivo ambiental e a imprescritibilidade da obrigação de reparar o dano ambiental. 

  1. Tendências globais

No cenário internacional, ganham força a litigância climática contra Estados e empresas, o reconhecimento dos direitos da natureza, a consolidação de obrigações ESG com efeitos jurídicos concretos e a incorporação da justiça ambiental como eixo central das políticas públicas.

O Direito Ambiental vive uma fase de expansão e complexificação. Mais do que nunca, exige atuação técnica, interdisciplinar e estratégica, capaz de conciliar proteção ambiental, desenvolvimento econômico e segurança jurídica.

*Renata Franco de Paula Gonçalves Moreno é advogada especialista em Direito Ambiental e Regulatório, sócia e fundadora do escritório Renata Franco Sociedade de Advogados

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