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Afastamentos do trabalho por saúde mental aumentam mais de 1.000% no Brasil, diz estudo

Levantamento aponta que empresas devem agir com prevenção e responsabilidade jurídica

Por Redação / 6 de novembro de 2025

saúde mental trabalho. Foto: Freepik

Foto: Freepik

Um levantamento inédito da Benevento Advocacia, com base em dados do INSS, mostra que, entre 2006 e 2024, os afastamentos por transtornos mentais e comportamentais cresceram mais de 1.000%, passando de 1,3% para 15,6% do total de benefícios concedidos por incapacidade. Hoje, um em cada seis afastamentos no país está diretamente relacionado à saúde mental.

O estudo analisou a evolução dos principais diagnósticos, como depressão, ansiedade, estresse e burnout, e indica que o fenômeno reflete uma nova fase nas relações de trabalho e na forma como as empresas encaram o tema.

“O aumento dos afastamentos não significa apenas mais adoecimento. Mostra também um amadurecimento na forma como a sociedade e as empresas reconhecem e tratam as questões de saúde mental”, afirma a advogada Caren Benevento, sócia da Benevento Advocacia e pesquisadora do GETRAB-USP.

O levantamento também revela que as exigências cognitivas e emocionais dos trabalhadores cresceram de forma acelerada, impulsionadas pela transformação tecnológica e pelos novos modelos de trabalho. Para a advogada, o desafio das empresas agora é estruturar respostas à altura dessa realidade.

“As empresas já entendem que saúde mental é parte da pauta de governança. O próximo passo é estruturar políticas preventivas, treinar lideranças e criar protocolos de retorno ao trabalho que reduzam riscos e fortaleçam o clima organizacional”, completa.

Dever jurídico

Embora a maioria dos casos de adoecimento mental não tenha origem exclusiva no trabalho, o ambiente profissional pode agravar quadros preexistentes, segundo o estudo. Nesse contexto, a advogada destaca que a NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), atualizada em 2022, obriga as empresas a identificar e controlar riscos psicossociais dentro dos Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR) — tratando fatores emocionais e organizacionais com o mesmo rigor aplicado aos riscos físicos e ergonômicos.

“A norma transformou o tema em dever jurídico. Avaliar riscos psicossociais não é mais uma boa prática, é uma obrigação. Essa abordagem reduz afastamentos, fortalece a cultura de prevenção e demonstra diligência corporativa”, explica a advogada.

Novos modelos de trabalho

A pesquisa mostra ainda que, na última década, o avanço da digitalização, dos modelos híbridos e das novas formas de vínculo profissional consolidou uma nova dinâmica laboral. Apesar de trazer ganhos de flexibilidade, essa transformação também aumentou as pressões sobre o equilíbrio emocional e a gestão de pessoas.

Para Caren Benevento, a responsabilidade corporativa vai além do cumprimento da lei. “Promover um ambiente de trabalho saudável é parte do dever de diligência empresarial. Incluir a saúde mental na gestão de riscos é proteger pessoas, reduzir custos com afastamentos e preservar a sustentabilidade do negócio”, destaca.

A especialista reforça que a integração entre saúde mental, compliance e governança ESG é essencial para unir produtividade e responsabilidade social. “O futuro do trabalho exige performance e cuidado. Essa combinação garante relações mais sustentáveis e juridicamente equilibradas”, conclui.

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