Foto: Gabriel Spalone – golpe com Pix indireto (reprodução)
Foragido do Brasil desde a semana passada, após a Polícia Federal deflagrar a “Operação Dubai”, Gabriel Spalone tem 29 anos e é um influenciador com mais de 800 mil seguidores no Instagram, onde costumava divulgar sua rotina de negócios e passar a imagem de jovem investidor ligado ao mercado financeiro.
Dono das fintechs Dubai Cash e Next Trading Dubai, voltadas para pagamentos e investimentos no Brasil e no exterior, ele foi preso neste fim de semana ao desembarcar em Buenos Aires proveniente do Panamá, onde chegou a ficar detido no setor de imigração.
Guilherme Sateles Coelho e Jesse Mariano da Silva também teriam se beneficiado do esquema com R$ 75 milhões e já foram presos, em cumprimento a decisão judicial, em São Paulo e Campinas, respectivamente.
Na lista vermelha da Interpol
Fundada em 2023, a Dubai Cash tem capital social de R$ 5,3 milhões e sede na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. Já a Next Trading Dubai, segundo o perfil da empresa, atua em Dubai e oferece os serviços nas áreas de commodities, fintech, câmbio e criptomoedas, além do desenvolvimento de plataformas para cassino.
Spalone é o principal alvo da operação, acusado de desviar R$ 146 milhões com operações via Pix. De acordo com informações veiculadas pela TV Globo, Gabriel deixou o país na última sexta e pretendia ir para Dubai. A ideia era decolar do Paraguai para Nova Iorque, nos Estados Unidos, em um voo com escala no Panamá.
Ao chegar no Panamá, contudo, Gabriel mudou de ideia e comprou uma passagem para a Holanda. Mas foi detido ao tentar embarcar. Ele quase foi deportado de volta ao Paraguai para dali, ser enviado ao Brasil, mas seu advogado argumentou que Gabriel era uma pessoa livre para viajar, pois não tinha qualquer ordem de prisão internacional ou inclusão na Interpol. Com isso, ele acabou liberado.
Do Panamá, Gabriel viajou para a Argentina, mas, nesse meio tempo, seu nome entrou na lista vermelha da Interpol. Ao chegar no Aeroporto Internacional de Buenos Aires, ele foi preso, com a ajuda da Polícia de São Paulo e da Polícia Federal brasileira.
R$ 146 milhões em cinco horas de Pix
As operações das empresas de Spalonecomeçaram a chamar a atenção em 26 de fevereiro de 2025. Naquele dia, um banco identificou que, das 4h23 às 9h47, foram feitas 607 transferências via Pix, totalizando R$ 146,5 milhões. Todas partiam de dez contas vinculadas a uma empresa parceira do banco — uma prática iliegal conhecida como “Pix indireto”.
Graças à reação rápida do banco, mais de R$ 100 milhões foram recuperados, mas R$ 39 milhões se perderam e viraram prejuízo para o banco e empresas correntistas. O “pix indireto” permite que instituições menores realizem transações por meio de instituições maiores.
O advogado de Spalone, Eduardo Maurício, declarou que pretende contestar a prisão e trabalhar para reverter a situação do influenciador. Ele planeja providências legais tanto na Argentina quanto no Brasil, incluindo um pedido de exclusão de Spalone da lista da Interpol e um possível habeas corpus no Brasil.