O criador de conteúdo Felca reacendeu, nos últimos dias, o debate sobre a chamada “adultização” de crianças, termo usado para descrever a exposição precoce de menores a comportamentos, responsabilidades e expectativas típicas da vida adulta, com risco de erotização.
Em um vídeo de quase 50 minutos, publicado em 6 de agosto no YouTube para seus 5,4 milhões de inscritos, Felca apresentou exemplos de conteúdos digitais envolvendo exploração e sexualização de adolescentes. Entre os citados está o influenciador Hytalo Santos, investigado pelo Ministério Público da Paraíba, que frequentemente divulga gravações de menores em trajes reduzidos e realizando danças de conotação sexual. Também foi mencionada a jovem Kamylinha Santos, de 17 anos, cuja cirurgia de implante de silicone foi registrada e publicada nas redes.
Outro caso destacado é o de Caroline Dreher, que, segundo o humorista, iniciou sua presença digital aos 11 anos com vídeos de danças consideradas inocentes, mas que evoluíram para conteúdos sensuais a pedido de seguidores. Felca criticou não apenas os produtores e responsáveis pelos vídeos, mas também as plataformas que, por meio de algoritmos, recomendam e monetizam esse tipo de material.
Uma versão resumida do vídeo, publicada no Instagram, ultrapassou 160 milhões de visualizações e levou à suspensão das contas de Hytalo e Kamylinha pela Meta. Felca alertou para os impactos da adultização, como a sexualização precoce, maior risco de abuso, problemas de autoestima, ansiedade, depressão e dificuldades de socialização.
A repercussão chegou ao Congresso. No domingo (10), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nas redes sociais que a Casa deve pautar, nesta semana, projetos relacionados à proteção de crianças contra a sexualização na internet.