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Alerta global da Interpol reforça necessidade de reação jurídica no Brasil, aponta especialista

Uso de inteligência artificial por redes criminosas exigem avanços na cooperação internacional

1 de julho de 2025

hacker

A Interpol emitiu um alerta nesta segunda-feira, 30, sobre o crescimento global de centros criminosos especializados em golpes digitais. De acordo com a organização, milhares de pessoas, em sua maioria vítimas de tráfico humano, estão sendo forçadas a aplicar golpes cibernéticos, movimentando bilhões de dólares em todo o mundo.

O relatório da Interpol destaca que esses centros operam principalmente no Sudeste Asiático, mas com ramificações cada vez mais sofisticadas na Europa, Oriente Médio e América Latina. As ações envolvem ofertas tentadoras, manipulação emocional, fraudes de investimentos e esquemas de criptomoedas, com impacto direto nas finanças pessoais e na estabilidade digital dos países.

A proliferação do uso de inteligência artificial nas práticas criminosas também preocupa. As vítimas eram forçadas a utilizar ferramentas de IA para criar deepfakes, aplicar golpes e gerar anúncios falsos. De acordo com o advogado criminalista Eduardo Maurício, esse avanço representa um novo risco jurídico e tecnológico, pois “a inteligência artificial proporciona explorar ainda outras ferramentas e trazer práticas delitivas ainda desconhecidas até mesmo pela Polícia Judiciária e Ministério Público, de tão sofisticadas, modernas e reais, como nesse contexto de tráfico humano, por exemplo, induzindo ao erro pessoas com falsas promessas de emprego e depois forçando vítimas a participar de fraudes digitais sob ameaça”.

Além do impacto financeiro, a Interpol ressalta que o tráfico humano potencializado pelas mídias digitais representa um grave desafio aos direitos humanos e à segurança internacional. Eduardo destaca que o Brasil precisa avançar na cooperação jurídica internacional, com menos burocracia e mais eficácia nos procedimentos legais. “Trazendo maior eficácia na prevenção, investigação e punição desses crimes digitais ligados a essas fábricas, sendo necessário também um alargamento da moldura penal para que saibam que se praticarem tal delito serão presos no regime fechado com uma pena proporcional ao tamanho do dano que causam em milhares de vítimas”, conclui.

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