Notícias

AGU renova estrutura para reforçar atuação em defesa da democracia

Decreto de reestruturação que entrou em vigor nesta semana amplia o papel do órgão na defesa da democracia e no estímulo à inovação

2 de agosto de 2025

A nova estrutura da Advocacia Geral da União entrou em vigor nesta terça-feira (29/07), após a publicação do Decreto nº 12.540, de 30 de junho de 2025, no Diário Oficial da União. O objetivo é tornar a atuação da AGU ainda mais alinhada às demandas da população, com ênfase na defesa da democracia, no estímulo a consensos e soluções negociadas, na promoção da inteligência jurídica e na inovação.

O ato normativo, que revogou o Decreto nº 11.328, de 1º de janeiro de 2023, criou secretarias e departamentos, alterou competências, remanejou cargos em comissão e funções de confiança, dentre outras medidas.

Para dar ainda mais consistência institucional a iniciativas inovadoras da AGU, a nova estrutura comporta cargos próprios para atuação, por exemplo, no âmbito do já consagrado Observatório da Democracia.

Da mesma forma, cargos próprios apoiarão o trabalho da Câmara de Segurança Jurídica (Sejan), que tem sido celebrada no mundo jurídico pelos importantes avanços no equacionamento de zonas de incertezas na administração pública. E impulsionarão a atuação do Laboratório de Inovação da AGU (Labori), para trazer ainda mais resultados para a Casa, quanto mais após o reconhecimento como Instituição Científica, Tecnológicas e de Inovação (ICT).

A fim de garantir segurança jurídica e efetividade de políticas públicas em seu processo de aprovação pelo Poder Legislativo, a Secretaria de Atos Normativos (Senor) da AGU foi fortalecida e conta agora com uma Diretoria de Análise e Acompanhamento Legislativo.

A mudança permitirá o aperfeiçoamento dos processos normativos internos, promovendo uma participação mais ativa da AGU no acompanhamento de propostas em trâmite no Congresso Nacional. O texto também aprofunda a integração da Senor com outros órgãos, como a Assessoria Especial para Assuntos Parlamentares e Federativos (Aspar).

Soluções negociadas

Outra mudança significativa ocorreu na estrutura da Consultoria-Geral da União (CGU), com ampliação do seu papel na solução negociada de conflitos. Um importante avanço deve-se à previsão de que o parecer da CGU que trata de solução de divergência aprovado pelo Advogado-Geral passa agora a vincular os órgãos e entidades envolvidos.

O novo decreto detalha e amplia a atuação da CGU na representação extrajudicial da União e de agentes públicos, especialmente junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). Para isso, o antigo Departamento de Assuntos Extrajudiciais transformou-se em Subconsultoria-Geral da União de Representação Extrajudicial, e tem agora duas Consultorias Nacionais da União, de Defesa Extrajudicial de Políticas Públicas e de Defesa Extrajudicial de Agentes Públicos.

O decreto também reorganizou as procuradorias nacionais temáticas no âmbito da Procuradoria-Geral da União (PGU). A Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, por exemplo, teve competências ampliadas para que atue de forma mais ativa, inclusive por meio da articulação institucional e internacional.

Além disso, a Procuradoria Nacional da União de Execuções e Precatórios passou a se chamar Procuradoria Nacional da União de Gestão de Riscos Judiciais, com funções mais abrangentes relacionadas a cálculos, perícias, monitoramento de riscos fiscais e articulação com outros órgãos para a gestão de grandes volumes de execuções judiciais e precatórios.

Competências ampliadas

A Procuradoria-Geral Federal (PGF) foi outro órgão que teve as competências ampliadas, destacando-se a previsão normativa sobre a sua atuação internacional, no relevante papel de assessoria das agências e entidades que têm participação em debates e fóruns no âmbito dos órgãos do sistema ONU.

Houve também avanço com ênfase em padronização, inovação, soluções negociadas e atuação especializada em áreas estratégicas. A Consultoria Federal em Educação, por exemplo, transformou-se em Consultoria Federal em Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação. A ampliação de seu escopo de atuação possibilitará avanços em uniformização e segurança jurídica para as autarquias envolvidas em políticas públicas inovadoras, projetos de pesquisa, transferência de tecnologia e integração com as políticas educacionais.

O órgão ganhou ainda a Procuradoria Nacional Federal de Assuntos Extrajudiciais, fortalecendo a atuação no TCU, especialmente nos processos de responsabilização, tomadas de contas, auditorias etc.

O decreto ainda reforçou a atuação estratégica da Secretaria-Geral de Consultoria, acentuando seu papel em temas como governança, gestão estratégica, tecnologia da informação e desenvolvimento institucional.

A Secretaria de Governança e Gestão Estratégica ganhou novas competências, como “desenvolver, aperfeiçoar e disponibilizar produtos, processos e serviços jurídico-tecnológicos inovadores aos órgãos, às entidades públicas e à sociedade” e “gerir a política de inovação, o capital intelectual e o conhecimento acumulado pelos integrantes da AGU”.

De acordo com a norma, o fomento a soluções jurídico-tecnológicas inovadoras poderá abranger inclusive iniciativas internacionais de pesquisa tecnológica e promoção do empreendedorismo, dentre outras iniciativas.

Com as mudanças, a estrutura da AGU está ainda mais direcionada às necessidades atuais do Estado brasileiro e da sociedade. O fortalecimento das áreas de tecnologia da informação, inteligência jurídica, acompanhamento legislativo e da ênfase em mediação, conciliação e arbitragem como métodos de resolução de conflitos permitirão ao órgão aprofundar a entrega de serviços jurídicos de excelência que viabilizam a implementação de políticas públicas e preservam o patrimônio federal.

Notícias Relacionadas

Notícias

PL protege inquilinos, mas prejudica proprietários

Estado vai interferir de maneira mais invasiva nas relações privadas

Notícias

Especialistas comentam os impactos da falência da Oi após quase 10 anos de recuperação judicial

Advogados e analistas explicam efeitos para credores, acionistas e clientes, e alertam sobre fragilidades da governança corporativa