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13º salário na conta: 76% dos brasileiros planejam usar benefício para quitar dívidas

Advogados tributaristas explicam como sair do endividamento, organizar despesas de início de ano e em que momento investir esse dinheiro

Por Redação / 28 de novembro de 2025

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Foto: Pixabay

Com o início do pagamento da primeira parcela do 13º salário nesta sexta-feira (28), milhões de brasileiros começam a planejar como usar o recurso extra: quitar dívidas, investir ou reservar para despesas do início do ano. Pesquisas recentes indicam, porém, que o planejamento ainda é um desafio.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), quase 76% dos brasileiros pretendem usar o 13º para pagar dívidas, reflexo direto do alto endividamento das famílias. Apenas uma parcela pequena considera aplicar o dinheiro em investimentos ou reservar para despesas obrigatórias, como impostos e material escolar.

Para o advogado tributarista André Peniche, especialista em investimentos internacionais e planejamento patrimonial, o benefício precisa ser administrado com estratégia, não por impulso.

“Eu costumo dizer que o 13º não é um presente, é uma oportunidade de correção de rota. A prioridade vai depender da situação de cada um, mas existe uma ordem racional: primeiro, eliminar dívidas caras; depois, fortalecer a reserva de emergência; e só então pensar em investimentos mais estruturados, inclusive no exterior. Gastar é o último item da fila.”

O fim de ano também traz despesas previsíveis que pressionam o orçamento das famílias. Uma pesquisa do Serasa, divulgada em janeiro de 2025, aponta que 55% dos brasileiros devem gastar até R$ 4 mil com IPVA, IPTU, seguros e matrículas escolares.

Para Peniche, esse é exatamente o tipo de gasto que deve ser planejado. “O 13º pode funcionar como um fundo de despesas fixas de janeiro. Antecipar esses custos evita juros, multas e a necessidade de recorrer ao crédito mais caro justamente no começo do ano, quando o orçamento está mais pressionado.”

Além disso, o especialista reforça que o período é ideal para organização tributária. “O fim do ano é o momento ideal para um check-up tributário. Mapear investimentos, revisar operações, checar deduções e organizar comprovantes faz diferença no imposto pago no ano seguinte. O planejamento que você faz agora se traduz na economia de amanhã.”

Peniche destaca que o 13º precisa ser visto como instrumento de planejamento financeiro, e não apenas como valor destinado ao consumo. “Ignorar o impacto tributário das decisões de dezembro é um erro comum. Muita gente investe sem entender as retenções ou regras de isenção, e só descobre o problema na declaração. Também é importante avaliar produtos com melhor eficiência fiscal e, para quem busca ampliar horizontes, considerar a internacionalização do patrimônio de forma estruturada.”

Renda e consumo

O cenário econômico de 2025, com juros mais baixos, inflação desacelerada e câmbio estável, favorece uma postura mais estratégica na alocação do 13º. Segundo Peniche, o momento permite organizar finanças e até investir de forma mais diversificada.

“Com juros mais baixos e maior previsibilidade, o fim do ano se torna um momento estratégico para colocar as contas em ordem, revisar obrigações e estruturar investimentos para 2026. A dolarização do patrimônio, feita com planejamento tributário e jurídico, protege contra riscos locais e amplia o leque de oportunidades. O que define o sucesso não é ‘acertar o ativo’, mas construir uma carteira global coerente com seus objetivos.”

Para Mayra Saitta, advogada tributarista e fundadora do Grupo Saitta, o cenário também reflete o descompasso entre renda e consumo. “O orçamento doméstico tem sido sufocado por despesas fixas e emergenciais. As pessoas estão recorrendo a linhas de crédito para custear o básico, como alimentação e contas de energia.”

Segundo a especialista, o comportamento do consumidor agora tende a oscilar entre o alívio temporário do 13º e o risco de novos débitos. “O pagamento extra traz fôlego, mas muitos acabam comprometendo o recurso com dívidas antigas ou compras de fim de ano.”

Dados do Banco Central indicam que o cartão de crédito é o principal vilão do endividamento, respondendo por 86% das dívidas das famílias, seguido de carnês e empréstimos pessoais. O aumento dos juros médios rotativos, que ultrapassam 430% ao ano, também pressiona o saldo devedor.

Mayra Saitta ressalta que o planejamento financeiro é o único caminho para reduzir a inadimplência. “É preciso definir prioridades e renegociar dívidas antes de buscar novos créditos. O consumidor deve entender que pagar o mínimo do cartão ou atrasar parcelas tem um custo exponencial. É recomendável usar o 13º para quitar débitos de maior impacto, como financiamentos e contas em atraso, antes de pensar em gastos de consumo”, conclui.

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