Notícias

Registro de especialista trava médicos e aumenta filas no SUS, diz associação

Segundo presidente da Abramepo, uso do RQE como barreira viola a Lei Federal 3.268/1957 e restringe atuação profissional

Por Redação / 24 de fevereiro de 2026

Médico. Foto: Freepik

Foto: Freepik

O Registro de Qualificação de Especialista (RQE), destinado originalmente a ser uma simples anotação administrativa nos conselhos regionais de medicina, tem sido apontado como um obstáculo à atuação de médicos e ao acesso da população a especialistas no Brasil.

Segundo a Associação Brasileira de Médicos Pós-Graduados (Abramepo), a exigência do RQE extrapolou o campo administrativo e passou a funcionar como um “funil burocrático”, que ignora a Lei Federal 3.268/1957.

Embora a legislação brasileira garanta ao médico o direito de exercer a profissão em qualquer especialidade, interpretações internas do Conselho Federal de Medicina (CFM) têm ampliado a exigência do registro, restringindo a participação de profissionais em concursos públicos e limitando sua liberdade de atuação. O resultado é a retirada de especialistas qualificados da rede assistencial.

Para o médico-cirurgião e presidente da Abramepo, Eduardo Teixeira, essa distorção administrativa chegou a gerar prisões arbitrárias. “Transformaram um registro em um alvará inexistente. É uma narrativa corporativista que induz autoridades ao erro e trata médicos especialistas como se estivessem no exercício ilegal da profissão por falta de um selo”, afirma Teixeira.

Déficit de especialistas e gargalo da residência

Dados da Demografia Médica 2025 indicam que o déficit entre médicos formados e vagas de residência de acesso direto chegou a mais de 16,4 mil em 2024. Muitos desses profissionais recorrem à pós-graduação acadêmica, mas acabam invisíveis para pacientes e excluídos de concursos públicos.

“É insustentável manter um gargalo dessa proporção e, ainda assim, punir quem busca educação continuada fora do sistema de residência”, aponta Teixeira. Segundo ele, o modelo atual cria “desertos médicos” artificiais: “O profissional está na ponta atendendo à população, mas é proibido de ser transparente sobre sua qualificação e, muitas vezes, impedido de ocupar vagas em concursos por uma exigência sem base legal. Quem perde é o cidadão”.

Democratização da formação

Para a Abramepo, o reconhecimento de médicos pós-graduados é a forma mais rápida de reduzir as filas de especialistas no sistema público. Impedir que esses profissionais atuem plenamente ou concorram a cargos públicos apenas com base no RQE é, segundo a associação, um entrave ao interesse público e à saúde coletiva.

“A saúde brasileira não pode ser refém de selos burocráticos sem respaldo legal. O RQE jamais deveria ser usado para cercear o direito à informação, limitar o trabalho ou perseguir profissionais”, afirma Teixeira. “O que vemos é uma política de exclusão que ignora as necessidades da ponta, enquanto as filas no SUS só aumentam. Isso não tem como se sustentar por muito mais tempo.”

Notícias Relacionadas

Notícias

STF anula pagamento de valores retroativos de auxílio-alimentação a ex-juiz federal

Ministro Flávio Dino verificou que a decisão questionada contraria a Súmula Vinculante 37

Notícias

STJ mantém prisão de químico e esposa acusados de adulterar laticínios

O profissional estava impedido de trabalhar no setor desde 2005, quando se envolveu em caso parecido