O debate sobre regulação das redes sociais para menores rompe barreiras políticas: 73% dos eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro e 90% dos partidários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem regras para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. É o que mostra um levantamento realizado pelo Projeto Brief, plataforma dedicada a fortalecer a comunicação progressista baseada em dados e a mapear narrativas de impacto social e político no Brasil.
O estudo aponta que a maioria das famílias não está preparada para lidar com riscos online — só 37% dos pais sabem usar ferramentas de controle parental, enquanto quase metade das crianças de até 12 anos já tem celular próprio, geralmente sem supervisão.
A pesquisa também revela desconhecimento sobre o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, que virou lei em setembro e começa a valer a partir de março de 2026: apenas 36% ouviram o termo e só 15% sabem o que ele significa. O chamado “ECA Digital” obriga as plataformas a oferecer ferramentas de controle parental, além de remover conteúdos perigosos.
Para os brasileiros, a responsabilidade pela proteção infantil é compartilhada, mas recai principalmente sobre pais e mães (82%), seguida por plataformas (76%) e governo (61%). O uso excessivo de telas preocupa: 46% relatam ansiedade, irritabilidade ou dificuldade de foco entre os filhos, e 8% mencionam casos de assédio ou abuso digital — índice que dobra entre meninas de 13 a 15 anos, aponta o estudo.