Notícias

Na COP 30, Edson Fachin diz que Judiciário tem dever de agir pela justiça climática

Presidente do STF abriu o Dia do Judiciário na conferência que acontece em Belém do Pará

13 de novembro de 2025

Edson Fachin. Foto: Antonio Augusto/STF

Foto: Antonio Augusto/STF

No discurso de abertura do Dia da Justiça, do Clima e dos Direitos Humanos, durante a COP 30, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, destacou o papel do Poder Judiciário como agente de promoção da justiça climática e de defesa do meio ambiente.

Para o ministro, a crise ambiental também é uma crise de cultura e de modos de vida, exigindo que o sistema de Justiça assuma suas responsabilidades. “Cumpre, aqui e agora, desempenhar as tarefas que cabem ao Poder Judiciário e ao sistema de Justiça, no limite de suas atribuições e nas especialidades em que operam”, afirmou.

Fachin considera que o papel do Judiciário deve ser pensado sob duas dimensões: como julgador — solucionando conflitos e oferecendo respostas à sociedade — e como instituição pública, responsável por sua própria governança sustentável. “Em ambas as tarefas, a Justiça é capaz de induzir comportamentos e impulsionar a justiça climática”, disse.

Com relação à atuação do Supremo enquanto guardião da Constituição e dos direitos humanos e fundamentais, o ministro afirmou que a Corte tem agido como um ator sensível à agenda climática, à proteção do meio ambiente e às terras indígenas. Citou, ainda, decisões importantes no combate aos incêndios no Pantanal e na Amazônia, bem como na demarcação de territórios dos povos originários.

“A atuação do Tribunal tem se pautado pelos princípios da precaução em favor do clima e da responsabilidade objetiva do Estado por danos causados ao sistema climático”, destacou.

A respeito de um dos temas centrais da COP 30 — o financiamento climático —, o ministro lembrou que o Supremo já decidiu ser inconstitucional o contingenciamento do Fundo do Clima e de qualquer outro da área.

O ministro Fachin ressaltou ainda a conexão entre a proteção ambiental e os direitos dos povos indígenas, destacando que a resistência e a existência desses povos estão diretamente ligadas à preservação das florestas.

Durante o discurso, o presidente do STF lembrou o Pacto pela Transformação Ecológica, assinado em 2024, sob a presidência do ministro Luís Roberto Barroso, como exemplo de ação conjunta dos Poderes para promover o desenvolvimento sustentável, a proteção ambiental e a justiça social.

Ao concluir, o ministro defendeu a criação de uma ampla rede de cooperação entre magistrados e sistemas de Justiça de diferentes países, especialmente os da região amazônica. “Devemos pensar de forma universal e agir localmente, conferindo densidade e concretude à jurisprudência climática”, afirmou.

Para Fachin, o desafio é transformar palavras em ação: “Devemos passar da exortação à responsabilização, em um esforço mandatório para que tenhamos um futuro habitável e sem retrocessos”.

Leia a íntegra do discurso.

Fonte: STF

Notícias Relacionadas

Notícias

STF valida decreto que isenta Brasil de norma sobre demissão sem justa causa

Dúvida girava em torno da validade de decreto não analisado por parlamentares

Notícias

Selic deve ser aplicada como juros moratórios se sentença não determinar outra taxa

STJ julgou ação indenizatória movida por empresa contra uma seguradora