Opinião

Liderança: reconhecimento feminino cresce no Direito

Técnica refinada e atitude estratégica vêm redefinindo o padrão de liderança das mulheres

5 de março de 2026

As advogada Juliana Rodrigues Eckermann e Kelly Bernadete Pinheiro. Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Por Juliana Rodrigues Eckermann e Kelly Bernadete Pinheiro*

O Dia Internacional da Mulher marca um momento de reflexão sobre os avanços e desafios da presença feminina em posições de decisão e o Direito não é exceção. Áreas estratégicas, como Cível e Mercado Financeiro, têm ampliado o protagonismo de lideranças femininas. É possível observar que características frequentemente associadas às mulheres, como escuta ativa, abordagem analítica minuciosa, cadenciamento na tomada de decisões e perfil mediador têm ganhado destaque em um mercado que valoriza soluções consensuais, redução de passivos, e previsibilidade e segurança jurídica. 

As mulheres já representam 50% do número total de advogados e são maioria em 19 das 27 seccionais estaduais do país, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no 1º Estudo Demográfico da Advocacia Brasileira (Perfil ADV). Reforçando essa mudança, o número de advogadas reconhecidas como as Mais Admiradas pela Análise Advocacia Mulher aumentou 29% nos últimos cinco anos. 

No Mercado Financeiro e de Capitais, a sofisticação e a expansão da indústria de Fundos de Investimentos exigem uma advocacia cada vez mais especializada em regulação, governança corporativa, compliance, estruturação e gestão de riscos. Nesse ambiente, a necessidade de coordenar diversos agentes, gestores, administradores, distribuidores e auditores, evidencia um diferencial que muitas profissionais vêm consolidando: uma escuta mais próxima, analítica e estratégica, capaz de captar nuances, antecipar conflitos e integrar perspectivas distintas. Essa postura, associada à visão multidisciplinar, amplia o espaço para advogadas que atuam com profundidade técnica e habilidade relacional em operações complexas. 

No Direito Cível (Consultivo e Contencioso), o cliente atual não busca apenas quem litiga bem, ou quem tem maior tecnicidade, ele busca quem antecipa riscos, estrutura teses profundas desde a fase contratual e utiliza o contencioso como ferramenta de gestão empresarial e retroalimentação. Atualmente, a atuação deixou de ser reativa, para ser preventiva, orientada por dados, indicadores e análise preditiva de riscos. 

Além disso, o surgimento da inteligência artificial, deslocou o diferencial competitivo para competências humanas que não são substituíveis por algoritmos: capacidade de negociação, leitura estratégica do contexto, pensamento crítico e comunicação clara. Hoje, não basta resolver o problema, é preciso compreender o negócio do cliente.

Para nós, destacam-se as profissionais que aliam excelência técnica a competências comportamentais altamente desenvolvidas. Em especial, valorizamos adaptabilidade e resiliência, indispensáveis em litígios longos e de alta complexidade, somadas a planejamento estratégico com visão de médio e longo prazo.  

No cotidiano, fazem diferença a comunicação assertiva (sobretudo nas negociações voltadas à desjudicialização e a soluções consensuais mais seguras) e a organização com cadenciamento rigoroso na condução processual, atributos fundamentais tanto em carteiras volumosas quanto em operações estruturadas.  

É essa combinação, técnica refinada e atitude estratégica, que vem redefinindo o padrão de liderança feminina no Direito.

*Juliana Rodrigues Eckermann é sócia-diretora da Eckermann & Santos (E&S), atua nas áreas de Direito Civil, Empresarial, Societário e é especialista em Mercado Financeiro e de Capitais

*Kelly Bernadete Pinheiro é sócia-diretora da E&S, líder dos Casos Passivos, com atuação nas áreas do Direito Civil, Empresarial, do Consumidor e de Família e Sucessões

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