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A Teka Tecelagem Kuehnrich S.A. firmou um acordo trabalhista de R$ 70 milhões com mais de 2.300 trabalhadores, encerrando disputas que se arrastavam há mais de dez anos. O entendimento garante o pagamento a empregados e ex-empregados das unidades ativas de Blumenau (SC) e Artur Nogueira (SP), além da unidade inativa de Indaial (SC).
O acordo, formalizado na última sexta-feira (7), foi feito em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem em Geral de Campinas e Região (SP) e faz parte do processo de recuperação judicial iniciado em 2012.
Atualmente, a companhia é controlada pelo Alumni FIP (Fundo de Investimentos e Participações), que detém 40% das ações e conduz um plano de reestruturação e modernização da gestão desde junho de 2025. A operação foi liderada pela nova gestão da empresa, com assessoria da EXM Partners.
Contas judiciais
Os recursos iniciais para o pagamento virão de fundos já existentes em contas judiciais vinculadas ao processo de recuperação. Cada um dos 2.333 trabalhadores beneficiados receberá até R$ 10 mil na primeira etapa, respeitando o teto do valor devido.
Os créditos acima desse limite serão parcelados em até 36 vezes, com garantia de imóveis não operacionais colocados à venda.
Também está prevista a liberação de depósitos recursais e judiciais nos processos trabalhistas em tramitação no Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC) e no TRT da 15ª Região (Campinas-SP).
Venda de imóveis
Apesar do parcelamento, os valores a serem pagos também contarão com recursos da venda de imóveis ativos não operacionais. Após a quitação das dívidas trabalhistas, eventual saldo remanescente das vendas será destinado ao pagamento do FGTS, antecipando a transação tributária firmada com a Caixa Econômica Federal.
Segundo a empresa, os valores obtidos com a venda dos imóveis serão destinados ao pagamento das obrigações trabalhistas e do FGTS.
“É importante destacar que os colaboradores desligados e ativos que aguardam pagamentos atrasados devem procurar seus advogados o quanto antes para formalizar o termo de adesão que concretiza o recebimento de valores da forma mais breve possível”, afirma Rogério Aparecido Marques, diretor-presidente da empresa. De acordo com ele, a previsão é de que o pagamento seja feito antes do recesso de fim de ano.
Conciliação
No Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), a conciliação foi acompanhada pelo Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc-JT) de Campinas e homologada pelos juízes Caio Rodrigues Passos Martins e Fernanda Constantino de Campos, com a presença da desembargadora Ana Cláudia Torres Vianna, vice-coordenadora do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).
Já no Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT-12), em Santa Catarina, o “Termo de Acordo para Execução Coletiva dos Créditos Trabalhistas” foi firmado perante a Secretaria de Execução do TRT-12 (SEXEC), com participação do Juiz Gestor Regional da Execução, Roberto Masami Nakajo.