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Dívida sustentável movimenta quase R$ 100 bilhões em 8 anos

Estudo da FGV Direito SP tem como objetivo disponibilizar base de dados pública sobre o tema

Por Redação / 11 de fevereiro de 2026

Dívida sustentável. Foto: freepik

Estudo mapeia emissões de dívida sustentável no país (Foto: Freepik)

Entre 2016 e junho de 2024, o mercado brasileiro de dívida sustentável registrou a emissão de 215 títulos, que juntos movimentaram R$ 99,8 bilhões. O volume expressivo revela a consolidação desse tipo de instrumento financeiro no país, com predominância das debêntures, embora os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) venham ampliando sua participação.

Os dados fazem parte da pesquisa O Mercado de Dívida Sustentável no Brasil, um dos eixos do projeto Transição Ecológica e Justiça Climática: Desafios e Perspectivas para o Brasil, desenvolvido pela FGV Direito SP em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS). O estudo foi conduzido pelo Núcleo de Mercados Financeiros e de Capitais (MFCap) da FGV Direito SP, sob coordenação da professora Viviane Muller Prado, e teve como objetivo mapear as emissões de dívida sustentável no país nos últimos anos, além de disponibilizar uma base de dados pública sobre o tema.

De acordo com a pesquisa, empresas têm recorrido a títulos rotulados para captar recursos com propósito social, ambiental ou sustentável, alinhando suas operações às metas de sustentabilidade e às demandas de investidores. A estratégia combina responsabilidade socioambiental e planejamento financeiro, com potencial de ampliar a base de investidores e, em alguns casos, reduzir o custo de capital. O levantamento considerou instrumentos como green bonds, social bonds e sustainability-linked bonds, também conhecidos como títulos “rotulados”, “temáticos” ou “ESG”.

A análise detalha a destinação dos recursos, os setores que lideram as emissões e os mecanismos de verificação dos títulos. Segundo o estudo, cerca de 74% das emissões foram classificadas como verdes, abrangendo projetos ambientais ligados a energia limpa, água, florestas, resíduos e mobilidade de baixa emissão. As emissões sociais responderam por 4% do total, voltadas a iniciativas nas áreas de saúde, moradia, educação, inclusão e geração de empregos. Já os títulos sustentáveis, que combinam objetivos ambientais e sociais em uma mesma emissão, representaram 22%.

O setor de energia aparece como o principal protagonista do mercado, liderando as emissões sustentáveis com 78 dos 215 títulos mapeados. Em termos de concentração geográfica, aproximadamente 40% das emissões puderam ser rastreadas por região, com forte predominância do Sudeste, que concentrou mais de R$ 31,6 bilhões.

Os resultados completos da pesquisa estão disponíveis no site Home | Projeto Mercado Dívida Sustentável, que reúne informações sobre a metodologia adotada, gráficos interativos, a base de dados e o relatório integral do estudo.

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