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Índice de conciliação trabalhista no Brasil é baixo: “Faltam estratégia e visão financeira”, diz especialista

Entre janeiro e agosto de 2025, apenas 21,02% processos resultaram em acordo

Por Redação / 16 de outubro de 2025

CLT. Foto: marcello casal jr. / agência brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Entre janeiro e agosto de 2025, mais de 3,4 milhões de novas ações trabalhistas foram registradas no país, mas apenas 21,02% resultaram em acordo. O dado, levantado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), expõe um gargalo na Justiça do Trabalho.

Para Lucas Pena, CEO da Pact Insights, legaltech especializada na redução de passivos judiciais, esse número mostra o desafio que o país tem em consolidar uma cultura de acordos, mesmo diante do potencial de economia para empresas e da celeridade para o Judiciário.

“Faltam estratégia e visão financeira no trato com ações trabalhistas. Há uma clara predisposição das partes em buscar acordos. O que ainda falta são parâmetros objetivos que façam as expectativas convergirem de forma viável para ambos os lados”, afirma o executivo.

“Também é preciso reconhecer o esforço da Justiça do Trabalho e dos CEJUSCs em montar essas mesas de negociação e catalisar soluções definitivas para empregadores e ex-empregados. A cultura de conciliação precisa deixar de ser exceção para se tornar regra, e isso começa por dados, tecnologia e vontade de mudar”, completa.

Diferença de desempenho entre tribunais

A análise do CNJ também mostra uma grande disparidade entre os Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) quando o assunto é conciliação. Veja o ranking:

  • TRT23 (MT) – 27,77% (maior índice do país)

  • TRT8 (PA/AP) – 26,56%

  • TRT24 (MS) – 25,73%

  • TRT5 (BA) – 16,33%

  • TRT17 (ES) – 15,97% (menor índice do país)

Justiça digital

Apesar da digitalização do Judiciário e do avanço da agenda ESG nas empresas, o índice de acordos trabalhistas no Brasil ainda é considerado baixo.

“Temos uma justiça mais digital, mais segura e um cenário empresarial cada vez mais sensível a boas práticas de ESG. Isso exige uma mudança de mentalidade. O que estamos propondo é simples: que as empresas troquem litígio por governança, custo por oportunidade, incerteza por economia”, finaliza Lucas Pena.

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