Empresas familiares são maioria, segundo IBGE (Foto: Freepik)
Nove em cada dez empresas brasileiras têm perfil familiar, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essas empresas empregam 75% da mão de obra do país e representam 65% do PIB. Nesse cenário, especialistas destacam que famílias que pretendem empreender juntas precisam adotar cuidados específicos para evitar conflitos estruturais.
No Dia Nacional da Família, celebrado nesta segunda-feira (8), o advogado João Victor Duarte Salgado, do escritório Celso Candido de Souza Advogados, reforça que o primeiro passo é separar a relação pessoal da relação societária.
“Isso pode ser evitado pelo acordo de sócios, que delimitará a atuação de cada um nas áreas da empresa ou prever soluções de problemas que, por vezes, não estão previstos no contrato social”, pontua. “Uma outra sugestão é contar com um profissional que não seja vinculado à família e que atue, sempre que necessário, para intermediar problemas da empresa e facilitar um consenso entre os sócios”, completa.
Salgado alerta que, sem essas precauções, os conflitos nas empresas familiares se tornam inevitáveis. “Não só as relações familiares terão a quebra da confiança, mas, também, a relação profissional será abalada e criará atritos e desgastes, onde pequenos problemas se tornarão grandes discussões. O desgaste é grande e afeta a vida e a saúde da empresa, podendo, em casos extremos, gerar a quebra da mesma”, destaca.
A seguir, ele lista cuidados essenciais para quem planeja abrir uma empresa familiar:
1 – Escolha do sócio
“Não é porque alguém é seu parente que você é obrigado a ter uma relação societária com ela. Ao contrário, o ideal é que essa escolha seja muito bem pensada e feita com muita cautela, uma vez que a relação dos sócios deve, sobretudo, ser profissional e primar pelo sucesso da empresa”, afirma.
2 – Papel de cada sócio na empresa
É fundamental que todos compreendam seu papel e área de atuação. “Se todos fizerem apenas uma coisa, evidentemente, algumas áreas da empresa ficarão descobertas e sem supervisão, gerando gargalos desnecessários. O ideal é que os sócios entendam que sua atuação deverá ser limitada e restrita a uma específica área na empresa (por exemplo, operacional, comercial, financeiro ou administrativo) e garantir que todos estejam cooperando para o sucesso do negócio”, diz o advogado.
3 – Profissionais fora do núcleo familiar
Contratar pessoas de fora da família pode evitar conflitos e ampliar perspectivas. “Com esses profissionais, certamente os sócios poderão contar com um outro olhar e com um outro panorama sobre uma determinada situação e evitar desgastes e conflitos.”
4 – Lucros
“Uma questão para qual também chamo a atenção é pensar que a empresa é criada e constituída para que todos possam obter lucro com ela. Assim, tudo deve ser sempre pensado para que a empresa seja sempre protegida e resguardada, evitando sempre prejudicá-la e, também, aos outros sócios, independente da relação familiar existente entre eles”, finaliza João Victor.