Uma nova empresa especializada em acordos judiciais chega ao mercado com a proposta de transformar a forma como grandes corporações lidam com o volume crescente de processos movidos por consumidores. A AcordoAgyl, spin-off do escritório Fragata e Antunes Advogados, combina inteligência artificial própria com a expertise jurídica acumulada em quase oito décadas de atuação no contencioso nacional — especialmente nas áreas de Direito do Consumidor, Trabalhista e Bancário.
No radar da plataforma estão instituições financeiras, operadoras de telefonia e redes varejistas, que figuram entre os maiores litigantes do país. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, o Brasil tem aproximadamente 80 milhões de processos em tramitação — um crescimento de 1,1% em relação ao ano anterior. Desse total, entre 7 milhões e 10 milhões são casos de litigância em massa ligados a relações de consumo.
IA que negocia antes do processo começar
A plataforma opera 24 horas por dia, sete dias por semana, identificando automaticamente os casos passíveis de acordo, personalizando propostas e gerenciando o fluxo da negociação do início ao fim. O grande diferencial, segundo seus fundadores, é atuar antes mesmo da apresentação da defesa em juízo ou da realização de audiências de conciliação — reduzindo drasticamente o tempo e os custo envolvidos.
“Um processo judicial na área de Direito do Consumidor pode durar 28 meses ou mais. Já os acordos que temos feito não levam mais do que cinco dias”, afirma Francisco Fragata Jr., sócio fundador da banca e um dos idealizadores do projeto. Ele estima que a plataforma pode gerar economia de até 60% nos custos judiciais e de 75% no tempo médio de encerramento das disputas, quando a negociação é iniciada logo após o ajuizamento do processo.
A CEO da AcordoAgyl, Andressa Barros, reforça que a proposta vai além da simples oferta de indenização. “Uma plataforma comum ofereceria um acordo pelo qual o consumidor seria indenizado. Mas só parte do problema seria resolvida, pois não se cuida do fato causador do dano”, explica. Na prática, isso significa que a empresa se compromete também com a resolução efetiva das pendências que originaram a reclamação — como a retirada de um nome negativado indevidamente de cadastros de inadimplentes, por exemplo.
Quando não negociar também é estratégia
A plataforma também é projetada para identificar casos em que a empresa tem razão e deve resistir às demandas, como situações de litigância abusiva, caso fortuito ou força maior. “Há ocasiões em que o fornecedor precisa resistir à pretensão do reclamante. A AcordoAgyl viabiliza rapidamente a identificação desses casos”, diz Andressa.
Toda a operação automatizada é supervisionada por uma equipe de negociadores humanos, responsáveis pelo trabalho estratégico e pela revisão final de cada acordo — um modelo que a empresa define como aplicação do conceito de Dispute Resolution aliado à inteligência artificial.
Tendência importada dos EUA e Inglaterra
O modelo de negócios da AcordoAgyl se inspira em uma tendência já consolidada nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde grandes escritórios atuam em parceria com empresas especializadas em acordos, combinando expertise jurídica com tecnologia. A plataforma registra atualmente um percentual de êxito de 40% nas negociações.
Mariana Barros, sócia e responsável pelo treinamento das equipes de negociadores, destaca que a necessidade de escala foi o principal motor do projeto. “Havia uma demanda clara por resolver milhares de processos em pouco tempo, algo impossível de executar no modelo tradicional sem sacrificar a qualidade”, finaliza.