Notícias

Ataque ao Irã pode enfraquecer normas do direito internacional, alerta especialista

Percepção de menos barreiras jurídicas aumenta risco de conflitos entre países

Por Redação / 2 de março de 2026

Bombardeio. Foto: Freepik

Foto: Freepik

O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado (28), com bombardeios em diversas cidades iranianas e a morte do líder supremo do país, suscitou debates entre analistas sobre suas consequências para a ordem internacional e a estabilidade geopolítica.

Para João Alfredo Lopes Nyegray, advogado, especialista em Negócios Internacionais e professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), o foco não está apenas no episódio militar em si, mas em seu efeito estrutural sobre o sistema global de normas e comportamentos entre Estados.

“Quando grandes potências recorrem ao uso da força sem autorização clara de mecanismos multilaterais, o impacto vai além do teatro de operações. A mensagem transmitida ao restante do mundo é que as normas podem ser relativizadas conforme o poder do ator envolvido”, afirma Nyegray, em referência ao ataque que intensificou tensões no Oriente Médio e desencadeou reações de diversos países e organizações internacionais.

Menos barreiras jurídicas

O professor alerta que esse tipo de movimento pode gerar um efeito indireto perigoso: a percepção de que disputas territoriais latentes e agendas revisionistas encontram menos barreiras jurídicas e políticas para justificar o uso da força.

“Não se trata de um ‘sinal verde’ explícito, mas de uma erosão gradual da percepção de custo político. Em ambientes de competição estratégica, percepções são determinantes”, destaca.

Nyegray observa que a ordem internacional construída após 1945 se baseia na premissa de que o uso da força entre Estados soberanos deve ser exceção, não regra.

“Se a força volta a ser normalizada como ferramenta de negociação, entramos em um cenário de maior imprevisibilidade estratégica. Estados passam a investir mais em dissuasão própria, inclusive militar, porque percebem menor confiabilidade nas instituições multilaterais”, explica.

No plano econômico, o professor ressalta que os efeitos não se limitam à oscilação de preços de commodities como o petróleo: “Conflitos dessa natureza elevam prêmio de risco global, pressionam cadeias logísticas, encarecem seguros marítimos e impactam decisões de investimento. A consequência é uma fragmentação econômica ainda mais acentuada, com aumento do custo de capital para mercados emergentes”.

Nyegray reconhece que ainda existem freios institucionais, como interdependência econômica e mecanismos diplomáticos, que dificultam uma liberalização total do uso da força. Contudo, ele enfatiza que a repetição de precedentes pode alterar cálculos estratégicos no médio prazo.

“Geopolítica é, em grande medida, gestão de expectativas. Se a percepção global for de que as normas são flexíveis para alguns e rígidas para outros, o sistema tende a se tornar mais volátil e menos previsível. E volatilidade sistêmica tem custos econômicos e políticos que ultrapassam qualquer fronteira regional”, conclui o professor.

Notícias Relacionadas

Notícias

Cibersegurança: saiba como proteger seus dados e quais as obrigações de empresas e clientes

Especialista destaca medidas essenciais para ampliar a proteção de dados no ambiente digital

Notícias

Dataprev abre concurso público para 236 vagas

Inscrições pela internet vão até 3 de outubro