A Comissão das Mulheres Advogadas da OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo) divulgou, em nota, nesta segunda-feira (23), sua manifestação de “repúdio às declarações proferidas por atleta do Red Bull Bragantino, no sentido de que mulheres não deveriam apitar clássicos de futebol”.
No texto, a Comissão afirma ainda:
“A fala não constitui mera opinião esportiva: trata-se de manifestação discriminatória baseada exclusivamente em gênero, que reforça estereótipos historicamente utilizados para excluir mulheres de espaços de autoridade, liderança e tomada de decisão. O desempenho profissional de uma árbitra deve ser avaliado por critérios técnicos — preparo físico, conhecimento das regras, posicionamento e controle de jogo — jamais por sua condição de mulher.
O futebol é um espaço social de enorme impacto cultural. Quando um agente relevante do esporte naturaliza a ideia de incapacidade feminina, contribui para legitimar a desigualdade, estimular a hostilidade contra mulheres em campo e afastar meninas e jovens de trajetórias profissionais que lhes pertencem por direito.
Nosso projeto Elas Jogam Junto existe justamente para enfrentar essa lógica: mulheres não precisam provar que podem ocupar espaços — elas já ocupam. O que precisa mudar é a resistência estrutural que insiste em negá-las.
A arbitragem feminina não é concessão, não é experimento e não é exceção. É realidade profissional consolidada no Brasil e no mundo. Questionar sua legitimidade apenas por gênero representa retrocesso incompatível com o esporte contemporâneo, com a Constituição Federal e com a própria ética esportiva.
Reiteramos que igualdade não é pauta setorial: é requisito civilizatório.
A CMA OAB SP seguirá atuando para que mulheres possam exercer suas funções — no Direito, no esporte e em qualquer área — sem sofrer deslegitimação pública baseada em preconceito.
Mulheres não precisam de autorização para ocupar o campo. O campo também é delas”.