Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Mesmo antes da abertura oficial do prazo de entrega do Imposto de Renda, que geralmente começa em março, a malha fina já preocupa milhões de contribuintes. E o motivo é claro: a Receita Federal realiza um cruzamento rigoroso de dados, comparando as informações declaradas com informes de rendimentos das fontes pagadoras e analisando se há compatibilidade entre renda e despesas dedutíveis.
A boa notícia é que, com organização e atenção, é possível reduzir significativamente o risco de cair na malha fina.
A seguir, confira um guia prático com orientações de especialista.
Entenda: cair na malha fina não é só para quem declara valores altos
Segundo o advogado tributarista Guilherme Galdino, do escritório Advocacia Galdino de Maringá, o erro mais comum é achar que apenas grandes valores chamam a atenção da Receita. “Os erros cometidos pelos contribuintes podem variar bastante, desde simples equívocos de digitação até dúvidas sobre a correta classificação de rendimentos ou sobre quais despesas podem ser deduzidas”, explica. Ou seja: um número digitado errado pode ser suficiente para gerar inconsistência.
Redobre a atenção com despesas médicas e educação
Esses são dois dos principais pontos de retenção na malha fina. “Essas despesas frequentemente geram problemas por falta de orientação adequada ou por interpretações que divergem do entendimento da Receita Federal. Em alguns casos, há inclusive questões controversas, baseadas em interpretações diferentes da legislação, que podem ser objeto de discussão judicial”, afirma Galdino.
Dica prática: confira se o valor declarado é exatamente o mesmo que consta no recibo; verifique se o CPF ou CNPJ do prestador está correto; guarde todos os comprovantes.
Não subestime pequenas diferenças
Um erro comum é acreditar que valores baixos não despertam atenção. Mas isso é um equívoco. Mesmo pequenas divergências entre o que foi declarado e o que consta nos informes de rendimentos podem gerar inconsistências e levar à malha fina. Quando isso ocorre, o contribuinte pode ser intimado a apresentar documentos e prestar esclarecimentos adicionais.
Comece a organização antes de março
A preparação não deve começar no último dia do prazo. “Desde o início do ano, é fundamental reunir os informes de rendimentos e os comprovantes de despesas, especialmente os de saúde. Já no caso de reformas em imóveis, vale lembrar que os comprovantes de pagamentos também devem ser guardados, caso o contribuinte deseje incluir esses valores no custo da aquisição”, orienta o tributarista.
Checklist básico: informes de rendimentos (empresas, bancos, INSS); comprovantes de despesas médicas; comprovantes de despesas com educação; documentos de compra e venda de bens; recibos de reformas e benfeitorias em imóveis.
Não deixe para a última hora
A pressa é uma das maiores inimigas da declaração correta. “Com a proximidade de março, a recomendação é começar a preparação o quanto antes. Evite deixar a declaração para a última hora. Começar a preenchê-la com calma reduz significativamente o risco de erros e de cair na malha fina”, finaliza Galdino.
Considere apoio profissional
Contar com um contador ou advogado tributarista pode evitar inconsistências, especialmente em situações mais complexas, como rendimentos variados, investimentos, venda de bens ou dúvidas sobre deduções.