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Com a popularização dos bancos digitais e a oferta de serviços cada vez mais atraentes, cresce também a preocupação dos consumidores com a solidez financeira dessas instituições. Diante do episódio recente da liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central (BC) “em razão do comprometimento da situação econômico-financeira” da instituição, especialistas alertam que é possível, além de recomendável, verificar sinais objetivos de saúde ou risco antes de colocar o seu dinheiro num banco digital.
Dados públicos do BC, informações do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que é uma espécie de seguro com cobertura de até R$ 250 mil que protege os clientes em caso de falência ou intervenção, e alguns indicadores, como o Índice de Basileia, todos disponíveis na internet, ajudam a identificar se a saúde financeira da instituição está ok (bem capitalizado, no economiquês).
Confira, abaixo, 6 pontos para entender se o banco digital onde você guarda as suas economias é confiável e como verificar (e onde) informações importantes sobre isso, explicados pelos advogados Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Bancário e Direito Empresarial, e Matheus Puppe, especialista em Direito Digital.
1 – Verifique a autorização de funcionamento
O primeiro passo é verificar se o banco digital é autorizado, regulado e supervisionado pelo Banco Central (www.bcb.gov.br). Estas instituições estão sujeitas às mesmas regras e fiscalização que os bancos tradicionais, inclusive a Lei nº 4.595/64 (Lei do Sistema Financeiro Nacional). Se não constar nos registros do órgão federal, o alerta é imediato.
2 – Consulte os dados financeiros
O BC divulga dados trimestrais padronizados sobre capital e sua evolução, liquidez (que indica a capacidade de honrar saques no curto), e resultados, que permitem avaliar a saúde financeira da instituição. A plataforma IF.data, também da autarquia federal, complementa os dados do BC e mostra tendências. Os bancos também divulgam relatórios e balanços regularmente. Fique atento a esses pontos: qualidade da carteira (inadimplência, provisões para perdas, concentração por cliente/setor), rentabilidade e tendência (lucro/prejuízo recorrente, geração de caixa) e funding (quanto depende de CDB/depósitos de curto prazo e concentração em poucos investidores).
3 – Verifique se há cobertura do FGC
Checar se a instituição é associada ao Fundo Garantidor de Créditos não mede saúde financeira, mas reduz o risco para o cliente em caso de quebra. Confira aqui. O fundo cobre depósitos e investimentos de renda fixa, como Poupança, Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e Recibo de Depósito Bancário (RDB), até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
4 – Desconfie de taxas muito acima do mercado
CDBs ou RDBs com rendimentos “bons demais” podem indicar tentativa de captar recursos a qualquer custo.
5 – Pesquise a reputação
Consulte reclamações no BC, Procon, e plataformas como Consumidor.gov.br e Reclame Aqui, além de eventuais sanções, intervenções ou liquidações divulgadas pelas autoridades. Consulte também sites de notas de crédito (Fitch, Moody’s, S&P, etc.) e relatórios de auditorias publicados nos sites dos próprios bancos.
6 – Acompanhe sinais de piora
A classificação do banco segundo o Índice de Basileia, que indica a capacidade da instituição de absorver prejuízos, é um ponto importante a ser observado. Quanto mais alto, mais seguro é o banco. No Brasil, o mínimo exigido é de 10,5%. Prejuízos recorrentes e aumento da inadimplência são alertas importantes. Problemas operacionais persistentes também contam, como saques/transferências instáveis ou atrasados, aplicativos com muitas falhas ou instabilidade contínua e falta de atendimento ao cliente ou canais de suporte inoperantes. Trocas frequentes na administração do banco, auditorias mudando toda hora e falta de transparência em demonstrações devem ser levadas em conta na hora da avaliação.