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Selic em 15% encarece financiamento de imóvel

Advogado analisa impactos dos juros elevados e aponta alternativas

Por Redação / 12 de janeiro de 2026

Herança. Foto: Freepik

Financiamento pode pesar no bolso (Foto: Freepik)

Com a Selic mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em dezembro do ano passado, o setor imobiliário brasileiro enfrenta um dos momentos mais desafiadores das últimas duas décadas. A manutenção dos juros altos mantém o crédito imobiliário caro, limita a capacidade de compra das famílias e exige planejamento cuidadoso de quem deseja adquirir um imóvel.

Segundo o advogado Raphael Mançur, especialista em Direito Imobiliário, à frente do escritório Raphael Mançur Advogados Associados, financiar um imóvel no cenário atual implica assumir prestações mais altas e um custo total significativamente maior ao longo do contrato. “A taxa básica permanece no maior patamar em quase duas décadas, o que mantém o crédito imobiliário caro e reduz a capacidade de compra do consumidor”, afirma.

Diante desse contexto, cresce a dúvida entre financiar imediatamente ou aguardar uma possível queda dos juros. O especialista aponta que ambas as decisões envolvem vantagens e riscos que precisam ser avaliados caso a caso.

Negociações mais favoráveis

Apesar do encarecimento do crédito, Mançur avalia que o momento também pode abrir espaço para negociações mais favoráveis. “Há possibilidade de encontrar boas oportunidades, já que a demanda diminui com juros altos”, destaca. Com menos compradores ativos, vendedores tendem a se mostrar mais flexíveis em relação a preços e condições.

A avaliação é especialmente válida para quem tem urgência na compra ou encontrou um imóvel com características específicas. Nesses casos, a menor concorrência pode ampliar a margem de negociação. Além disso, existe a possibilidade futura de portabilidade de crédito, caso as taxas de juros recuem, permitindo a migração do financiamento para condições mais vantajosas.

Por outro lado, os riscos do financiamento no atual patamar de juros são relevantes. Mançur ressalta que o impacto financeiro se estende por muitos anos. “As parcelas iniciais mais altas comprometem a renda e o custo do crédito permanece pressionado enquanto a Selic está elevada”, alerta.

Em financiamentos de longo prazo, o efeito é ainda mais expressivo. Um contrato de 30 anos com juros entre 12% e 14% ao ano pode resultar em um valor total pago que chega a ser o dobro ou até o triplo do preço original do imóvel.

Perspectivas para 2026

Embora a Selic tenha sido mantida em 15%, as projeções do mercado apontam para um cenário potencialmente mais favorável no início deste ano. “O mercado projeta que a Selic possa iniciar um ciclo de queda entre janeiro e março de 2026, caso o cenário inflacionário e fiscal permita”, explica Mançur.

Para quem já identificou o imóvel desejado, mas prefere não assumir um financiamento nas condições atuais, o advogado aponta uma alternativa jurídica para viabilizar o negócio sem travar os juros elevados.

“Uma boa estratégia é negociar com o vendedor a assinatura de um Instrumento de Compromisso de Compra e Venda com prazo de três a quatro meses para formalizar o contrato definitivo. O comprador pode adiantar apenas a parte que pagaria com recursos próprios, garantindo o negócio sem assumir contratar o financiamento no atual momento com a taxa de juros mais elevada”, explica Mançur.

A estratégia permite reservar o imóvel enquanto o comprador aguarda uma eventual queda da Selic no primeiro trimestre deste ano. Caso o movimento de redução dos juros se confirme, o financiamento pode ser contratado em condições mais favoráveis, reduzindo o custo total da operação e evitando a perda do imóvel já escolhido.

Planejamento é decisivo

A decisão entre financiar agora ou esperar exige uma análise cuidadosa das condições pessoais de cada comprador. “É fundamental avaliar a urgência da compra, a capacidade financeira para arcar com parcelas mais altas e as perspectivas reais de queda da Selic no curto prazo”, orienta Mançur.

O especialista também recomenda a busca por orientação jurídica antes da assinatura de qualquer contrato. Um instrumento bem estruturado pode oferecer segurança jurídica e viabilizar estratégias que reduzam riscos financeiros.

Com a Selic em 15% e expectativas de queda concentradas apenas no início deste ano, o planejamento se torna decisivo. Uma escolha bem fundamentada pode representar economia de dezenas de milhares de reais ao longo de um financiamento imobiliário de longo prazo.

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