Notícias

Ações trabalhistas voltam a crescer no Brasil e revelam novo padrão de litigiosidade

Estudo mostra que o país registrou 2,47 milhões de processos em 2025, alta de 31% em relação a 2022

Por Redação / 9 de janeiro de 2026

CLT. Foto: marcello casal jr. / agência brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Após uma década marcada por oscilações intensas, com recordes históricos, retração abrupta e recuperação gradual, o contencioso trabalhista brasileiro fechou 2025 em um novo nível de estabilidade. Dados consolidados pela Predictus, empresa especializada em inteligência de dados judiciais, indicam que 2,47 milhões de ações trabalhistas foram ajuizadas no país ao longo do ano, reforçando uma tendência de crescimento observada desde o período pós-pandemia, embora ainda distante do pico registrado em 2016.

O volume representa um aumento de aproximadamente 31% em relação a 2022, quando o número de novos processos havia caído para menos de 1,9 milhão, influenciado tanto pela crise sanitária quanto pelos efeitos iniciais da Reforma Trabalhista de 2017. Mesmo com a recuperação, o total de ações em 2025 permanece cerca de 19% abaixo do recorde histórico de quase uma década atrás, sinalizando a consolidação de uma nova normalidade no sistema trabalhista.

Um dos pontos de maior destaque do levantamento é a forte concentração das demandas judiciais em grandes empregadores. Em 2025, as 100 empresas mais acionadas do país responderam por 431,5 mil processos, o equivalente a 13,6% de todas as reclamações trabalhistas ajuizadas. Em média, cada uma dessas companhias enfrentou mais de 4,3 mil novas ações no ano, enquanto a maioria das demais empresas apareceu apenas uma ou duas vezes nos registros da Justiça do Trabalho.

“O que os dados mostram é uma dualidade clara: grandes corporações lidam com um contencioso massificado e permanente, enquanto pequenas e médias empresas enfrentam litígios pontuais. Isso exige estratégias completamente diferentes de gestão trabalhista”, analisa o fundador e especialista em dados judiciais Hendrik Eichler.

Principais causas 

No recorte das matérias mais recorrentes, o cenário de 2025 mantém padrões já conhecidos das relações de trabalho no país. Horas extras aparecem como o principal motivo das ações, presentes em 25,7% dos processos, seguidas por verbas rescisórias (20,4%) e adicional de insalubridade (20,2%). Juntas, essas três categorias concentram cerca de dois terços de toda a litigiosidade trabalhista, indicando que conflitos relacionados à jornada de trabalho e ao encerramento do vínculo empregatício seguem no centro das disputas.

O estudo também evidencia o elevado percentual de acordos. Em 2025, 30,8% dos processos julgados foram encerrados por homologação de transação. Somados aos casos extintos após o cumprimento de sentença, mais da metade das ações teve desfecho sem uma decisão integralmente favorável ou desfavorável a uma das partes, reforçando o papel da Justiça do Trabalho como instância de mediação.

A análise aponta ainda uma correlação entre o cenário econômico e o comportamento judicial dos trabalhadores. Com a taxa de desemprego em 6,2% em 2025, o menor patamar da década, houve maior disposição para buscar direitos na Justiça.

Para os próximos anos, a tendência é de manutenção de volumes elevados de ações trabalhistas, ainda que distantes dos extremos observados no passado. O desempenho de 2025 é interpretado como um retrato de um sistema que absorveu as mudanças legais, superou os efeitos da pandemia e passou a operar em um patamar intermediário: menos processos do que no período pré-reforma, mas ainda entre os maiores volumes de litigiosidade trabalhista do mundo.

Veja o estudo completo aqui.

Notícias Relacionadas

Notícias

Mais de 3 mil pessoas correm para assistir de perto ao julgamento histórico sobre tentativa de golpe

Quem não conseguir ver as sessões presencialmente pode acompanhar online e ao vivo

Notícias

Priscila Pasqualin defende endowment como fomentador da educação

Para especialista, investimentos de capital privado em fundos filantrópicos podem levar ensino de qualidade aos mais pobres