Opinião

Home office, presencial e híbrido: o que muda na gestão do trabalho em 2026

O novo ano apresenta-se como um momento de amadurecimento na gestão do trabalho

5 de janeiro de 2026

Advogada Silvia Pellegrini Ribeiro. Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Por Silvia Pellegrini Ribeiro*

O home office já faz parte da realidade empresarial desde a pandemia, mas, em 2026, o movimento mais relevante não é sua ampliação, e, sim, a busca por modelos de trabalho mais equilibrados e sustentáveis.

Após anos de experimentação intensiva, muitas organizações perceberam que determinadas rotinas presenciais continuam essenciais para a troca de conhecimento, a construção de vínculos, o desenvolvimento de lideranças e o fortalecimento do senso de pertencimento. Nesse contexto, o retorno estruturado ao presencial passa a ser visto não como retrocesso, mas como estratégia de desempenho, e fortalecimento da cultura de empresa e de engajamento.

Do ponto de vista jurídico, esse reposicionamento abre espaço para corrigir fragilidades decorrentes da adoção acelerada do trabalho remoto. Ainda é comum encontrar empresas operando com políticas internas incompletas ou pouco claras; contratos que não refletem a prática cotidiana; acordos informais sobre jornada, disponibilidade e uso de equipamentos; e ausência de diretrizes objetivas sobre controle de atividades, ergonomia e segurança da informação.

Com o avanço das fiscalizações e a consolidação da jurisprudência sobre teletrabalho, esses pontos podem gerar riscos relevantes trabalhistas, regulatórios e reputacionais.

O movimento de reorganização do trabalho em 2026 oferece, portanto, uma oportunidade estratégica: corrigir distorções, alinhar expectativas e fortalecer a cultura organizacional. Não se trata de abandonar a flexibilidade e a sua utilização como benefício indireto, mas de qualificá-la. Modelos híbridos bem estruturados, com critérios claros de presencialidade, regras transparentes de jornada, parâmetros objetivos de comunicação e metas bem definidas, tendem a gerar maior engajamento e senso de pertencimento, ao mesmo tempo em que reduzem zonas de conflito.

Nesse cenário, a governança trabalhista assume papel central. A padronização de práticas, a atualização de políticas internas e a integração entre jurídico, RH, tecnologia e liderança são fundamentais para garantir coerência, previsibilidade e segurança jurídica. Mais do que uma adaptação operacional, trata-se de um reposicionamento cultural.

Em síntese, 2026 apresenta-se como um momento de amadurecimento na gestão do trabalho. Empresas que revisarem seus modelos com estratégia, clareza e propósito estarão mais preparadas para fortalecer vínculos, reduzir riscos e sustentar um ambiente organizacional saudável e produtivo no longo prazo.

*Silvia Pellegrini Ribeiro é advogada e head da área trabalhista no Feijó Lopes Advogados

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