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Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, os quatro estados da Região Sudeste registraram 2.515.431 novas ações trabalhistas. No mesmo período, foram realizadas 206.204 audiências conciliatórias. Apesar do alto volume de audiências — com índice de 65,22% nos últimos 12 meses —, o percentual efetivo de conciliações ficou em 20,04%, abaixo da média nacional, que foi de 20,85%.
Para Lucas Pena, CEO do Grupo Pact Insights, legaltech especializada na redução de passivos judiciais trabalhistas, os números evidenciam um descompasso entre esforço processual e resultados práticos. “Os dados mostram que o Sudeste está mobilizando estrutura, magistrados e tempo processual, mas ainda converte pouco desse esforço em soluções definitivas. Isso gera sobrecarga para o Judiciário e custos prolongados para empresas, quando a conciliação poderia ser um instrumento estratégico de encerramento e previsibilidade”, afirma.
A análise regional também revela diferenças significativas entre os estados. No Nordeste, Alagoas apresentou o melhor índice de conciliação nos últimos 12 meses, com 25,18%, enquanto a Bahia registrou o menor percentual, de 16,54%. Já no Sudeste, Minas Gerais liderou o índice de conciliação no período, com 20,80%, e o Espírito Santo apresentou o pior desempenho, com 15,51%.
Segundo o executivo, o simples aumento no número de audiências não garante maior resolutividade. “Os números deixam claro que realizar audiências não é suficiente. A conciliação precisa ser tratada como política de gestão de risco, com critérios objetivos, inteligência financeira e uso de dados para alinhar expectativas. Sem isso, o sistema segue girando, mas sem resolver o problema central”, afirma Pena Lucas.
Números nacionais
No cenário nacional, os dados do CNJ indicam que, entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil contabilizou 4.793.908 novas ações trabalhistas. No período, foram realizadas 653.753 audiências conciliatórias, o que resultou em um índice de audiências de 66,32% e em um índice nacional de conciliação de 20,85% nos últimos 12 meses.
O patamar, levemente superior ao registrado no Sudeste, reforça o desafio da região em transformar o elevado volume de processos em acordos efetivos.