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A Black Friday de 2025, marcada para o dia 28 de novembro, deve movimentar o comércio eletrônico brasileiro como nunca. Segundo relatório da Neotrust, o e-commerce nacional deve registrar R$ 11 bilhões em faturamento, alta de 17% em relação ao ano passado. A movimentação do público já começou, com consumidores pesquisando preços e planejando compras semanas antes da data.
Apesar do otimismo do varejo, o período traz à tona a preocupação crescente com golpes digitais. Um relatório recém-divulgado pela Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP), intitulado “ADDP – Golpes Online 2025”, mostra um cenário alarmante: o Brasil registrou 28 milhões de golpes envolvendo Pix apenas neste ano, além de 2,7 milhões de fraudes em compras online, 1,6 milhão de golpes via WhatsApp e 1,5 milhão de casos de phishing.
Segundo o advogado Francisco Gomes Júnior, especialista em Direito Digital e presidente da ADDP, datas como a Black Friday exigem cautela redobrada. “O relatório mostra que o volume de golpes segue crescente em 2025. Em períodos como a Black Friday, a combinação de pressa e oferta atrativa aumenta muito a vulnerabilidade do consumidor”, afirma Gomes.
Ele destaca ainda a evolução de falsificações criadas com inteligência artificial, especialmente deepfakes, que simulam vozes e imagens de atendentes, empresas ou até familiares, tornando o golpe mais convincente.
Para quem quer aproveitar descontos reais, o especialista recomenda atenção prévia. “O ideal é registrar os preços atuais do produto desejado em diferentes lojas. Assim, o consumidor consegue verificar com precisão se o desconto oferecido no dia 28 realmente existe”, orienta.
“A dica principal é simples, verifique tudo antes de pagar e priorizar o cartão de crédito. Essa forma de pagamento oferece mecanismos de proteção ao consumidor que o Pix ainda não proporciona, especialmente em datas com alto índice de fraude”, conclui Gomes.
Golpes com IA
O alerta também é reforçado por novas pesquisas. Um levantamento do Reclame Aqui mostra que 63% dos consumidores não conseguem identificar golpes com uso de inteligência artificial, como páginas falsas ou vozes clonadas simulando atendentes de “suporte”. Já a empresa de cibersegurança Kaspersky detectou 553 milhões de tentativas de phishing nos últimos 12 meses, um aumento de 80% em relação ao período anterior.
Para o advogado Marco Antonio Araujo Júnior, especialista em Direito do Consumidor e presidente da Comissão Especial de Direito do Turismo, Mídia e Entretenimento do Conselho Federal da OAB, a sofisticação das fraudes acompanha o crescimento das compras online.
“A cada ano cresce o número de fraudes eletrônicas envolvendo compras online, desde páginas falsas de e-commerce até perfis falsos em redes sociais, que se aproveitam do apelo das promoções para enganar o consumidor”, afirma.
O especialista alerta que a pressa é inimiga da segurança. “Os criminosos se aproveitam do impulso e da pressa. Um erro mínimo, um domínio com uma letra trocada ou um PIX para CPF pode custar caro”, explica. “O golpe não está só na largada, na oferta imperdível. Pode ser depois, no momento do pagamento.”
Entre os golpes mais comuns na Black Friday, Araujo Júnior lista:
• Sites e perfis falsos que imitam grandes marcas
• Phishing e links maliciosos enviados por e-mail, SMS ou redes sociais
• Falsos anúncios de viagens e hospedagens
• Marketplaces falsos, em que vendedores inexistentes somem após o pagamento
Como se proteger na Black Friday 2025
Os especialistas indicam medidas práticas para evitar dores de cabeça:
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Pesquisar a reputação da loja, histórico, reclamações e CNPJ;
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Desconfiar de promoções muito abaixo da média;
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Evitar pagamento por Pix em lojas desconhecidas;
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Cuidado com links enviados por mensagens;
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Verificar se o site é seguro e autêntico;
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Atenção a compras internacionais e custos extras;
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Priorizar cartão de crédito, que oferece estorno e contestação.
Araujo Júnior reforça que tudo deve ser documentado. “É importante que o consumidor verifique sempre o domínio do site (endereços terminados em ‘.com’ com erros ortográficos são suspeitos), pesquise a reputação da loja em plataformas de defesa do consumidor e nunca realize transferências via PIX para pessoas físicas sem confirmação da autenticidade da oferta”, orienta.
“Também é importante salvar comprovantes, conversas e anúncios. Essas provas são fundamentais para eventual ação judicial ou registro de ocorrência”, finaliza.