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Entenda por que o endividamento das PMEs cresceu 9,3% em um ano

Especialista alerta para a necessidade de gestão e planejamento financeiro

Por Redação / 13 de novembro de 2025

Dívida bancária. Foto: Freepik

Foto: Freepik

O endividamento das pequenas e médias empresas disparou em 2025, refletindo o impacto direto da manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano — o maior patamar desde 2017. Segundo dados do Sebrae e da Serasa Experian, o número de micro e pequenas empresas com contas em atraso cresceu 9,3% nos últimos 12 meses, atingindo cerca de 6,5 milhões de negócios.

Para a advogada e empresária Mayra Saitta, fundadora do Grupo Saitta e especialista em Direito Empresarial e Contabilidade, o cenário é de cautela e gestão rigorosa.

“Com juros nesse patamar, o crédito deixa de ser solução emergencial e passa a ser um risco. O empresário precisa olhar para o fluxo de caixa diariamente e rever o modelo de capital de giro para não comprometer a operação”, alerta.

A advogada reforça que renegociar dívidas deve ser prioridade antes da inadimplência. “Negociar prazos e taxas com os bancos é essencial. Hoje, as instituições estão mais abertas a acordos diretos, especialmente quando há histórico de bom pagamento”, explica.

Capital de giro

Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta que 71% das PMEs brasileiras enfrentam dificuldades para manter capital de giro suficiente para as despesas mensais, principalmente nos setores de varejo e serviços. Paralelamente, dados do Banco Central indicam que a inadimplência média das empresas subiu para 5,4% no segundo semestre de 2025.

Segundo Mayra Saitta, o desafio não se limita ao acesso ao crédito, mas à gestão eficiente dos recursos disponíveis. “Planejamento tributário e financeiro são aliados diretos da sustentabilidade do negócio. Muitos empresários ainda não separam contas pessoais das empresariais, o que distorce o resultado real da empresa”, afirma.

Estratégia e gestão

Diante do cenário, a especialista recomenda medidas práticas como controle rigoroso do fluxo de caixa, redução de despesas não essenciais, busca por consultorias de gestão e monitoramento constante dos indicadores financeiros.

“A Selic alta força o empreendedor a ser mais estratégico. É o momento de investir em conhecimento e gestão, não em endividamento”, diz a especialista.

De acordo com o boletim Focus do Banco Central, o mercado projeta que a taxa de juros só comece a recuar gradualmente a partir do segundo trimestre de 2026, o que deve manter o crédito caro e exigir ainda mais cuidado das pequenas e médias empresas com suas finanças.

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