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8 em cada 10 acidentes de trabalho no Brasil envolvem cortes, fraturas e esmagamentos; veja os principais riscos

Segundo advogada, a legislação é clara quanto à responsabilidade das empresas em mapear riscos, fornecer treinamento e garantir o uso adequado de EPI

Por Redação / 11 de novembro de 2025

Acidente de trabalho. Foto: freepik

Foto: Freepik

Quedas, cortes e fraturas continuam fazendo parte da rotina de milhões de trabalhadores brasileiros. De acordo com dados do SmartLab, plataforma do Ministério Público do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o país registra, em média, uma lesão relacionada ao trabalho a cada 51 segundos e uma morte a cada três horas.

A maioria desses casos — cerca de 88% — é classificada como acidente típico, ou seja, acontece dentro do ambiente de trabalho, durante a execução das tarefas. As mãos e os dedos estão entre as partes do corpo mais afetadas, principalmente em atividades manuais e na operação de máquinas, comuns na indústria têxtil, metalmecânica, logística e manufatura.

As lesões mais frequentes são fraturas, cortes, contusões e esmagamentos, que juntas representam mais de 80% dos registros. Esses números evidenciam que o problema vai além do cumprimento de normas: há falhas estruturais na prevenção, na ergonomia e na forma como as operações são planejadas.

Foi o que aconteceu com Juliana Patrícia de Melo, que trabalhava em uma fábrica têxtil quando sofreu um acidente ao operar uma máquina de corte. A mesa não estava na altura adequada para sua estatura e ela não usava o equipamento de proteção exigido. O resultado foi um corte profundo em um dos dedos, que a afastou do trabalho.

“Eu sempre soube da importância do EPI, mas a rotina, o cansaço e a falta de orientação fazem a gente esquecer que um detalhe pode causar uma grande mudança. A gente nunca acha que vai acontecer com a gente, até acontecer”, relata Juliana.

O caso ilustra um problema recorrente: não basta cumprir normas, é preciso aplicar práticas que façam sentido na operação real.

Ergonomia

Segundo Clayton Gonçalves, diretor comercial e especialista em mobiliário industrial, o erro começa na forma como muitas empresas entendem ergonomia.

“Quando um posto de trabalho está mal organizado, o corpo do trabalhador compensa com esforço. Quando uma mesa está na altura errada, o colaborador se inclina. Quando não há lógica no armazenamento, ele caminha mais do que o necessário. Tudo isso aumenta fadiga e risco de acidente. Ergonomia não é conforto, é eficiência operacional”, afirma.

Ele explica que um ambiente de trabalho bem planejado reduz riscos e aumenta produtividade. “Quando o ambiente trabalha a favor do corpo, o risco cai e a produtividade sobe”, completa.

Consequências legais e financeiras

A advogada Gisele Seolin reforça que situações como a de Juliana são previsíveis e evitáveis do ponto de vista jurídico.

“A legislação é clara quanto à responsabilidade das empresas em mapear riscos, fornecer treinamento e garantir o uso adequado de EPI. Porém, muitas organizações ainda tratam segurança como gasto, não como investimento. Quando o acidente acontece, o passivo é muito maior do que o custo da prevenção”, explica.

Ela detalha que os acidentes de trabalho podem gerar indenizações por danos morais e materiais, além de estabilidade provisória ao empregado afastado. “Cuidar de segurança é cuidar de pessoas e do negócio. Não existe sustentabilidade sem bem-estar do trabalhador”, afirma Seolin.

Outro impacto ocorre quando o INSS move ações regressivas para reaver os valores pagos durante o afastamento do trabalhador — o que pode resultar em grandes prejuízos financeiros para as empresas. Além disso, os casos de acidente afetam a imagem corporativa e o clima interno, comprometendo a reputação da marca.

Planejamento e prevenção

Os dados apontam que a maioria dos acidentes tem origem em falhas estruturais da operação. Muitos envolvem máquinas e equipamentos sem proteção, ausência de sinalização ou falta de manutenção. Também são frequentes os impactos com objetos, ferramentas mal posicionadas e quedas em superfícies irregulares ou molhadas.

Quando o posto de trabalho não é projetado conforme as características físicas do colaborador — como altura, alcance e peso das peças —, o risco passa a fazer parte da rotina.

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