PEC foi enviada ao Congresso em abril (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional em abril de 2025, voltou a ganhar destaque após a ação policial que aconteceu nesta semana, nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, considerada a mais letal da história do estado.
A iniciativa tem como objetivo aperfeiçoar a integração entre as forças de segurança de todo o país, dando status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) — criado por lei em 2018.
A proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados em 15 de julho, e ainda precisa ser analisada pelos plenários da Câmara e do Senado.
Principais pontos da PEC:
- Objetivo central
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Dar caráter constitucional ao SUSP, garantindo estabilidade institucional e proteção contra mudanças políticas de curto prazo.
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O modelo se inspira em sistemas já consolidados, como o SUS (Saúde) e o SNE (Educação).
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A proposta busca um “SUS da segurança”, com atuação coordenada entre polícias e órgãos federais, estaduais e municipais.
- Justificativa da proposta
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Após 36 anos da Constituição de 1988, a criminalidade tornou-se mais complexa, interestadual e transnacional.
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O país ainda opera de forma fragmentada, com 27 formatos diferentes de boletins de ocorrência, certidões e mandados de prisão.
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A padronização de dados e protocolos é vista como essencial para tornar as políticas públicas mais eficazes.
- O que muda na Constituição
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A PEC altera cinco artigos (21, 22, 23, 24 e 144).
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Define que a União estabelecerá diretrizes gerais da política de segurança pública e defesa social, incluindo o sistema penitenciário.
- Autonomia dos estados
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A proposta mantém a autonomia dos estados e do Distrito Federal.
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A União não assumirá controle sobre os comandos das polícias estaduais nem sobre os sistemas de informação locais.
- Competências compartilhadas
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As novas atribuições federais não excluem competências comuns dos demais entes federativos.
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As polícias militares, civis, penais e os corpos de bombeiros militares continuarão subordinados aos governadores.
- Participação social
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Criação do Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, com representantes da União, estados, municípios e sociedade civil.
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A Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social será elaborada com base nas deliberações desse conselho.
- Fundos constitucionais
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A PEC constitucionaliza o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).
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Garante repasse contínuo e estável de recursos, sem possibilidade de contingenciamento.
- Transparência e controle
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Prevê corregedorias e ouvidorias autônomas para fiscalização das atividades policiais e recebimento de denúncias, elogios e sugestões.
- Estrutura das forças policiais
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Polícia Federal e polícias civis continuarão responsáveis pela investigação criminal.
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Polícia Rodoviária Federal (PRF) passará a exercer policiamento ostensivo em rodovias, ferrovias e hidrovias federais — podendo ser chamada de Polícia Viária Federal.
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Guardas municipais passam a integrar oficialmente o sistema de segurança, com foco em segurança urbana e policiamento comunitário, respeitando os limites de atuação definidos pela PEC.
- Atuação da Polícia Federal
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A PF terá papel reforçado no combate a crimes ambientais, organizações criminosas e milícias privadas com atuação interestadual ou internacional.
- Contexto e precedentes
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A proposta ganhou força após a “operação carbono oculto”, em agosto de 2025, considerada a maior ação integrada contra o crime organizado no país.
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A operação contou com cooperação institucional entre diferentes forças e ocorreu sem registro de mortos ou feridos, com mais de 350 alvos em oito estados.
- Impactos de operações integradas
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Planejamento e estratégia unificados.
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Cumprimento eficiente de mandados de prisão.
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Apreensão de armas e bloqueio de bens de organizações criminosas.
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Maior proteção à população durante as ações.
- Operação no Rio e criação de escritório emergencial
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A operação letal nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em mais de 120 mortes, incluindo quatro policiais, motivou o governo a criar um escritório emergencial de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.
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Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, o escritório representa um modelo piloto do que a PEC pretende implementar em todo o país.