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O casamento deixou de ser só sobre amor e alianças. Hoje, ele também envolve planilhas, contratos e estratégia. Cada vez mais brasileiros estão trocando o tradicional regime de comunhão parcial por opções personalizadas, feitas sob medida para proteger patrimônio, negócios e até startups familiares.
De acordo com dados de cartórios, o número de casamentos registrados com separação total de bens disparou nos últimos anos, especialmente entre pessoas com mais de 35 anos. A mudança reflete um novo perfil de casal, que já tem patrimônio, empresa ou investimentos antes do “sim” — e quer garantir segurança jurídica para ambos.
“No Brasil, temos quatro tipos de regimes de bens: comunhão parcial, comunhão universal, separação total e participação final de aquestos. O regime mais procurado ainda é o da comunhão parcial, que é o padrão legal e aplicado sempre que não há manifestação do casal”, diz a advogada Fernanda Fernandes, fundadora da FF Assessoria e Consultoria Jurídica.
“Ocorre que ultimamente tenho percebido um crescimento expressivo do regime da separação total de bens, principalmente entre empresários, empreendedores e profissionais liberais. Hoje as pessoas entendem que o regime de bens não é desconfiança, e, sim, estratégia patrimonial”, completa.
Amor, autonomia e estratégia
A tendência é impulsionada por fatores como autonomia financeira, casamentos tardios, igualdade de gênero e maior consciência sobre planejamento jurídico. A ideia de que discutir patrimônio é “falta de confiança” ficou para trás. Agora, o papo é sobre maturidade e transparência.
Entre casais que têm negócios juntos, o cuidado é redobrado. A separação entre o que é pessoal e o que é empresarial evita dores de cabeça em caso de divórcio ou dissolução da sociedade.
“Casais que empreendem ou já possuem bens devem formalizar um pacto antenupcial com orientação jurídica personalizada. Um pacto bem estruturado, alinhado ao contrato social e à realidade do casal, é essencial. Ele define regras claras sobre administração de empresas, partilha e cláusulas de incomunicabilidade ou proteção contra dívidas e riscos empresariais. Isso é blindagem jurídica na prática, desde o início da vida conjugal, evitando assim riscos futuros”, destaca a especialista.
O casamento sob medida
Outra novidade é a personalização dos regimes. Antes restritos a modelos prontos, os pactos antenupciais agora são customizados — um verdadeiro contrato sob medida para a vida a dois.
Esses acordos permitem ajustar regras conforme o perfil do casal, definindo quem administra o quê, como será feita a partilha e até o que fica fora do alcance de credores.
“Muitos casais não conversam sobre dinheiro, bens e finanças, por medo de parecerem desconfiados, e acabam deixando a escolha para o acaso, caindo no regime ‘automático’ da comunhão parcial de bens. Falar sobre patrimônio é maturidade, não desconfiança. E sem dúvida é o primeiro passo para um casamento sólido, inclusive no aspecto jurídico. Discutir o regime de bens é um ato de maturidade e responsabilidade, não de desconfiança”, conclui a advogada.