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Neste ano, o mercado imobiliário brasileiro vem mantendo sinais de força e valorização. Mesmo em um cenário ainda pressionado por juros altos, as vendas de imóveis seguem estáveis e a demanda por novas unidades permanece firme. Esse desempenho reforça a atratividade do setor, que representa cerca de R$ 359,5 bilhões no PIB nacional e continua sendo um dos pilares da economia brasileira.
Esse ambiente, já promissor, pode ganhar ainda mais tração com a Reforma Tributária em andamento, que promete mudanças significativas no sistema de tributos e abre caminho para uma nova fase de crescimento no setor imobiliário.
Entre os principais impactos estão a redução de carga tributária para imóveis populares, a simplificação nas operações de compra, venda e locação, além da maior previsibilidade para investidores e empresas. “A simplificação tributária é uma oportunidade de destravar investimentos que hoje ficam paralisados por custos ocultos e insegurança fiscal”, afirma Pedro Ros, CEO da Referência Capital.
Tributação mais transparente
Uma das principais mudanças da reforma é um novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que vai unificar tributos como ICMS e ISS. A transição deve ocorrer entre 2026 e 2033, e tem como objetivo eliminar distorções do modelo atual, reduzir custos de transação e tornar a tributação mais transparente.
No caso das operações imobiliárias entre pessoas jurídicas, o novo modelo propõe uma alíquota de 15,9%. Já as pessoas físicas ficariam isentas, o que pode facilitar o planejamento patrimonial e incentivar a compra e venda de imóveis por investidores individuais.
Além disso, a reforma deve gerar efeitos redistributivos importantes: famílias de menor renda tendem a pagar proporcionalmente menos impostos, enquanto contribuintes de faixas mais altas podem absorver parte do ajuste tributário. Isso também pode fortalecer a base de consumidores de imóveis populares, ampliando a demanda nesse segmento.
Regimes especiais
Os reflexos no setor são diretos: menos encargos e menor risco fiscal tornam o crédito mais acessível e viabilizam novos financiamentos. Fundos imobiliários, locações de curto e médio prazo e imóveis de valor intermediário estão entre os segmentos mais beneficiados, já que operam com margens sensíveis à carga tributária.
Por outro lado, incorporadoras e empresas que hoje utilizam regimes especiais terão que se adaptar, já que esses modelos podem ser extintos ou revistos. A previsão, no entanto, é de que o novo ambiente regulatório seja mais transparente e equilibrado.
“Modelos de auto quitação, em que a renda gerada pelo próprio imóvel contribui para o pagamento das parcelas, e o crescimento do short stay em plataformas como o Airbnb mostram como o setor imobiliário vem se adaptando a novos perfis de investidores. A reforma tributária tende a acelerar esse movimento ao reduzir custos e simplificar a tributação dessas operações”, explica Pedro Ros.
O executivo acredita que o momento é estratégico para quem busca retorno no setor. “A reforma tributária emerge como um dos vetores mais promissores para impulsionar os investimentos imobiliários nos próximos anos. Quem souber se posicionar bem nessa transição terá vantagem competitiva no ciclo que se abre após 2026”, conclui.