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O sistema tributário brasileiro está entre os mais complexos do planeta — e essa complexidade tem um custo alto. Segundo levantamento da empresa de auditoria digital e-Auditoria, divulgado em abril de 2025, mais de 52 mil empresas brasileiras pagaram, juntas, cerca de R$ 5,5 bilhões a mais em tributos desde 2018. Isso representa uma média de R$ 100 mil por empresa em impostos pagos indevidamente, muitas vezes por puro desconhecimento da legislação ou por erros de enquadramento fiscal.
Para o advogado tributarista Adriano Murta, o problema está no desconhecimento das regras e na falta de revisão periódica. “Basta entender e aplicar corretamente a lei, aproveitando benefícios e evitando erros de cálculo e enquadramento. Existem algumas medidas que podem gerar economia real, tanto para empresas quanto para profissionais liberais e pessoas físicas”, explica o especialista.
Murta lista cinco sinais claros de que você pode estar pagando mais impostos do que deveria — e traz orientações práticas para reverter esse cenário com segurança jurídica e ganhos financeiros concretos.
- Você nunca revisou o regime tributário da sua empresa
Um dos erros mais comuns é manter o mesmo regime tributário desde a abertura da empresa, sem avaliar se ele ainda é o mais vantajoso. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), 95% das empresas brasileiras pagam tributos indevidos por estarem com regimes desatualizados.
“Com o crescimento do faturamento ou mudança no perfil de despesas, o regime tributário antigo pode deixar de ser o mais adequado. Uma revisão anual evita pagamentos desnecessários”, alerta Murta.
- Você não utiliza (ou usa mal) os créditos tributários
Créditos de PIS, Cofins, ICMS e IPI são garantias legais para setores como indústria, serviços e agronegócio. Ainda assim, muitos empresários deixam de usar esses créditos corretamente — ou sequer sabem que têm direito.
“Deixar de usar esses créditos é o mesmo que desperdiçar dinheiro. A recuperação e compensação tributária podem representar economias expressivas”, destaca o advogado.
A atenção da Receita Federal sobre o uso indevido desses créditos também aumentou. A chamada “Operação Inflamável” está apurando mais de R$ 1,7 bilhão em pedidos de ressarcimento suspeitos no setor de combustíveis.
“A ação do governo demonstra a importância de realizar esse processo de forma técnica e segura, garantindo economia sem risco de autuações”, afirma Murta.
- Você tributa receitas que, na verdade, não deveriam ser tributadas
Não é toda entrada de dinheiro que precisa entrar na base de cálculo de impostos. Reembolsos, indenizações e subvenções, por exemplo, podem estar isentas de tributação — mas muitas empresas ainda cometem esse erro.
“Um olhar técnico sobre o fluxo financeiro ajuda a identificar cobranças indevidas e a ajustar a contabilidade de forma segura”, explica Murta.
Com o aumento da fiscalização digital e os cruzamentos automatizados da Receita Federal, esse tipo de erro pode gerar não apenas prejuízos, mas também autuações.
- Você não acompanha as mudanças na legislação tributária
A legislação fiscal no Brasil muda constantemente. Quem não acompanha essas alterações corre o risco de manter práticas antigas e pagar mais do que deveria.
“Empresas e autônomos que mantêm práticas antigas acabam ficando para trás. Uma atualização constante garante segurança jurídica e economia”, observa o especialista.
O avanço da reforma tributária é um exemplo claro. A segunda fase da regulamentação já está em análise no Senado, prevendo a unificação de ICMS e ISS no IBS e a criação da CBS federal. Desde julho, um simulador oficial no portal da Reforma Tributária permite prever o impacto das novas regras antes que elas entrem em vigor.
- Sua empresa nunca fez uma auditoria tributária preventiva
Em um país com uma das maiores cargas tributárias do mundo e o pior retorno de impostos à população, segundo o IBPT, buscar eficiência fiscal deixou de ser uma vantagem para se tornar uma necessidade de sobrevivência.
“Uma auditoria detalhada pode revelar impostos pagos a mais nos últimos cinco anos, permitindo a restituição ou compensação dos valores. Além de corrigir distorções, a auditoria preventiva protege a empresa contra autuações futuras. É uma forma inteligente de cuidar das finanças”, recomenda Murta.
Comparado a outros países, a diferença na estrutura tributária é gritante. “Quando olhamos para fora, especialmente para países como os Estados Unidos, percebemos o quanto o sistema tributário brasileiro ainda precisa evoluir. Lá, as regras são mais simples, estáveis e objetivas, o que facilita o cumprimento das obrigações fiscais e estimula o empreendedor a investir e crescer. No Brasil, a complexidade é tamanha que o contribuinte precisa de um verdadeiro planejamento estratégico apenas para pagar o que é justo”, concluiu o advogado.