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Reforma Tributária: veja por que sua empresa corre risco de parar

Especialistas alertam para as novas regras fiscais, que exigem mudanças urgentes em contratos, sistemas, equipe e fluxo de caixa

Por Redação / 30 de setembro de 2025

Reforma Tributária. Foto: Freepik

Foto: Freepik

A Reforma Tributária está prestes a provocar uma das maiores mudanças no sistema fiscal brasileiro em décadas. Com fase de testes prevista para começar já em 2026, a reforma promete simplificar a complexa estrutura de tributos atual, mas também traz desafios profundos que podem paralisar empresas despreparadas.

No novo modelo, o sistema passará a contar com dois tributos principais: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A proposta busca alinhar o Brasil aos padrões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), adotando um sistema mais moderno e transparente. Mas, para empresas de todos os portes, a simplificação vem acompanhada de obrigações que pedem reestruturação imediata.

De acordo com a advogada tributarista Sueny Almeida, do escritório Veloso de Melo, a Reforma Tributária exige uma reorganização profunda dentro das empresas, com integração entre múltiplos departamentos.

“É crucial a formação de um comitê interno que abarque áreas como jurídico, fiscal, contábil, financeiro, TI, logística e RH, garantindo uma transição harmoniosa e contínua. A adaptação dos sistemas de gestão para atender ao novo padrão, permitindo simulações, cálculos e emissões de notas fiscais corretamente, é um dos passos prioritários”, diz.

Além da parte tecnológica, será necessário revisar contratos com fornecedores e clientes, especialmente cláusulas de repasse de tributos e aproveitamento de créditos fiscais. Empresas também devem mapear toda sua operação — de compras e vendas até transações interestaduais e internacionais — para avaliar impactos em precificação, margens e fluxo de caixa.

A capacitação das equipes de controladoria, fiscal, contabilidade e vendas também deverá ser intensificada para reduzir a dependência de consultorias externas e, ao mesmo tempo, negociar benefícios trabalhistas de forma formalizada, permitindo que esses custos também gerem créditos tributários.

Split payment

Outro ponto crítico da reforma é a implementação do split payment — um mecanismo de pagamento fracionado. Isso significa que as empresas deixarão de contar com o prazo entre a venda e o pagamento dos tributos, que muitas vezes era utilizado como capital de giro.

“A importância desses ajustes é crucial, pois a reforma altera a dinâmica do fluxo de caixa. Com a implementação do split payment, os tributos serão recolhidos pelas instituições financeiras adquirentes no ato do pagamento, eliminando a utilização de impostos como fonte temporária de capital de giro pelas empresas”, explica o advogado tributarista Jacques Veloso, também do escritório Veloso de Melo.

Adaptação contábil

Um dos pontos mais críticos da nova legislação é a exigência de que os tributos sejam destacados separadamente do preço final. Isso altera completamente a forma de contabilizar a receita bruta e exige uma adaptação contábil que nunca foi feita no país.

Segundo os especialistas, essa mudança pode resultar em empresas simplesmente não conseguirem emitir notas fiscais a partir de 2026, o que inviabilizaria qualquer operação comercial.

“A transição, que se estenderá por quase uma década, demanda das companhias muita resiliência organizacional e investimento contínuo em tecnologia. A inabilidade de adaptação pode resultar na incapacidade de emitir notas fiscais já em 2026, deixando claro que não haverá espaço para improvisos”, alerta Veloso.

O que sua empresa precisa fazer agora

A reforma vai muito além de ajustar alíquotas ou preencher novas obrigações acessórias. Ela exige uma mudança de cultura organizacional, com foco em planejamento e controle. Veja as principais ações recomendadas:

  • Criar um comitê interno multidisciplinar para liderar a transição;

  • Adaptar sistemas de gestão (ERPs) para lidar com os novos tributos;

  • Revisar contratos com cláusulas de repasse e aproveitamento de crédito;

  • Mapear operações de compra, venda e logística para entender os impactos fiscais;

  • Capacitar equipes internas (contabilidade, fiscal, controladoria, vendas);

  • Ajustar o fluxo de caixa, considerando o recolhimento imediato dos tributos;

  • Estruturar simulações e testes operacionais com base nas novas regras.

Quem agir agora sai na frente

A implementação da reforma será gradual e levará quase uma década, mas o prazo para as primeiras mudanças começa já em 2026. Empresas que começarem a adaptação agora não só evitarão riscos legais e operacionais, como também estarão em vantagem competitiva quando as novas regras entrarem em vigor.

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