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Entenda o que é a Lei da Reciprocidade e por que Lula a acionou contra os EUA

O que está por trás dessa manobra do governo brasileiro e como ela pode influenciar o futuro das negociações entre os dois países

Por Redação / 29 de agosto de 2025

Ricardo Stuckert/PR

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo brasileiro iniciou um processo para analisar a possível aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. A medida é uma reação às tarifas de 50% impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, a uma série de produtos brasileiros no início de agosto, que ficaram conhecidas como ‘tarifaço’. O movimento, autorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é mais um capítulo de uma tensão crescente entre os dois países.

Veja abaixo os principais pontos para entender o caso:

O que é a Lei da Reciprocidade

Sancionada em 15 de julho por Lula, após aprovação no Congresso em 2 de abril, a Lei da Reciprocidade Econômica permite que o Brasil adote medidas simétricas contra países ou blocos que imponham barreiras comerciais ou diplomáticas que prejudiquem a competitividade brasileira.

Na prática, a lei autoriza o governo a suspender:

  • Concessões comerciais,
  • Investimentos,
  • Obrigações em propriedade intelectual.

A norma também permite que o Brasil deixe de cumprir obrigações previstas em acordos internacionais — sempre com base no princípio da proporcionalidade.

Motivação

A decisão do governo dos EUA de taxar produtos brasileiros em 50% veio acompanhada de uma narrativa controversa: segundo Washington, as tarifas seriam uma resposta a uma suposta perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente inelegível, réu em processos criminais e em prisão domiciliar.

Além disso, os EUA anunciaram a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil, alegando possíveis práticas desleais, incluindo o uso do Pix — sistema de pagamentos criado pelo Banco Central — como forma de beneficiar serviços nacionais em detrimento de empresas estrangeiras. O governo brasileiro respondeu afirmando que as acusações são “improcedentes” e que suas práticas seguem padrões internacionais.

O que acontece agora

Com aval do presidente, o Ministério das Relações Exteriores notificou a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para iniciar oficialmente a análise do caso. A Camex tem 30 dias para elaborar um parecer técnico, que pode recomendar medidas retaliatórias contra os EUA.

Essa é a primeira vez que o governo brasileiro recorre formalmente ao instrumento desde que ele foi criado.

Como funciona

A Camex é um colegiado formado por dez ministérios, cabendo ao órgão governamental a função de avaliar se medidas adotadas por outro país se enquadram nos critérios da Lei da Reciprocidade. Se o parecer for favorável à aplicação da lei, o Brasil poderá:

  • Adotar tarifas comerciais contra produtos americanos;
  • Suspender acordos de cooperação;
  • Aplicar restrições em serviços, investimentos ou propriedade intelectual.

Enquanto isso, o governo americano pode se manifestar no processo, e o diálogo diplomático segue aberto.

Por que isso importa

A iniciativa marca uma mudança na postura do Brasil diante de medidas comerciais consideradas hostis. Ao aplicar a lei, o país demonstra disposição para usar instrumentos legais próprios em defesa de sua economia — algo que, até então, era mais comum em potências como a China.

Além disso, a reação pode influenciar diretamente o comércio bilateral e a relação política com os EUA, que são um dos principais parceiros econômicos do Brasil há mais de 200 anos.

O que observar nos próximos dias

  • O parecer da Camex, previsto para os próximos 30 dias;
  • Como os EUA vão reagir à notificação oficial;
  • Se haverá medidas retaliatórias por parte do Brasil;
  • Potenciais impactos no comércio e nos investimentos;

“O que espero é que isso ajude a acelerar o diálogo e a negociação. O presidente Lula tem nos orientado primeiro: soberania nacional, o país não abre mão da sua soberania”, afirma Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Num Estado democrático, os poderes são separados – Executivo, Legislativo e Judiciário – e, de outro lado, o diálogo e negociação.”

Fontes: BBC Brasil, Agência Gov e CNN Brasil

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