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Só 35% das empresas familiares chegam à segunda geração

Sucessão é desafio para empresas familiares

22 de agosto de 2025

O perfil demográfico das empresas brasileiras revela um dado preocupante: 90% delas têm perfil familiar e a maior parte delas não sobrevive a uma transição de comando para a segunda geração.

Quem faz o alerta é o advogado Eduardo Diamantino, que palestrou sobre o tema “Governança, Profissionalização e Sucessão na Empresa Familiar” no Programa Agro CEO, de formação e aperfeiçoamento de gestores do agronegócio, promovido pelo Instituto Pecege.

Segundo dados do IBGE citados por Diamantino, as empresas familiares respondem por metade do PIB e pela geração de 75% dos empregos no país.

Apesar da relevância, a taxa de sobrevivência dessas companhias ao longo das gerações é baixa: apenas 35% chegam à segunda geração, 13% à terceira e 3% à quarta, conforme estudo do Family Business Institute (Universidade Cornell)

Diamantino destacou que a dependência excessiva do fundador é um dos principais riscos, pois a ausência de um plano sucessório consistente pode levar ao colapso do negócio. “Um mercado competitivo não perdoa uma gestão ineficiente”, afirma o sócio do Diamantino Advogados Associados.

Para ele, a transição de comando deve ser tratada como um projeto de longo prazo, que envolve educação dos herdeiros, estruturação de conselhos de administração ou consultivos, acordos de família e boas práticas de governança.

Além das questões internas, fatores externos agravam o cenário. A Reforma Tributária, a possível elevação do ITCMD e questões econômicas internacionais, como o “tarifaço” norte-americano sobre produtos brasileiros, foram apontados como ameaças que exigem maior profissionalização da gestão.

“Planejamento sucessório não pode ser tabu. Não é só uma questão de herança, mas de sobrevivência empresarial. Sem governança clara, a empresa pode perder valor, sofrer com litígios familiares e comprometer empregos e investimentos”, afirmou Diamantino.

Para mitigar riscos, Diamantino apresentou alternativas de estruturação patrimonial, como holdings, fundos de investimento e modelos internacionais de sucessão, incluindo trusts e fundações de interesse privado.

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