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Especialista em crimes digitais alerta sobre papel de plataformas no caso Hytalo: “Não é só ele nesse esquema”

Presidente da Associação de Defesa de Dados Pessoais e Consumidor defende investigação sobre algoritmos e responsabilidade das redes sociais

Por Redação / 18 de agosto de 2025

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Foto: Freepik

Investigado por crimes graves como exploração sexual infantil, adultização de menores, tráfico de pessoas e produção de conteúdo com crianças e adolescentes, o influenciador Hytalo Santos foi preso, junto com o marido, na sexta-feira (15), em uma casa em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

A ação foi cumprida pela Polícia Civil de São Paulo, em conjunto com o Ministério Público da Paraíba, o Ministério Público do Trabalho, e as polícias civis da Paraíba. Eles passaram por audiência de custódia no sábado (16), realizada de forma virtual, com o objetivo de avaliar a legalidade das detenções. Durante a audiência, não foram identificadas irregularidades no processo de prisão. Com isso, a Justiça decidiu manter a prisão preventiva dos investigados.

O caso ganhou repercussão nacional após a publicação de um vídeo pelo youtuber Felca, no dia 6 de agosto, em que ele denuncia a sexualização precoce de menores em conteúdos relacionados ao influenciador Hytalo. A gravação alcançou milhões de visualizações em poucos dias e pressionou as autoridades a agirem.

Como resultado, decisões judiciais determinaram a suspensão dos perfis de Hytalo nas redes sociais, a desmonetização de seus conteúdos e o bloqueio de seus canais nas plataformas digitais.

Segundo o advogado Francisco Gomes Junior, especialista em golpes digitais e presidente da Associação de Defesa de Dados Pessoais e Consumidor, embora a prisão seja necessária para aprofundar as investigações, o influenciador não pode ser visto como o único agente em um suposto esquema de exploração. “Não podemos ter no Hytalo Santos o bode expiatório, como se ele sozinho tivesse criado todo um esquema. Obviamente, ele não faz isso sozinho”, afirma.

Gomes Junior defende uma investigação mais profunda sobre o papel das redes sociais na disseminação de conteúdos envolvendo a exploração infantil. Para ele, é urgente compreender “para quem o algoritmo distribuía esse conteúdo” e “quais redes de pedofilia consumiam esse material”.

Ele critica o argumento de “liberdade de expressão” utilizado por plataformas digitais diante de conteúdos criminosos: “Que liberdade de expressão você pode ter numa pedofilia, num crime? Isso não é liberdade de expressão”.

Ao defender uma atuação parlamentar, o advogado destaca que é preciso exigir a abertura dos algoritmos das redes sociais, incluindo o chamado “algoritmo P”, para revelar como funcionam os mecanismos de recomendação e distribuição de conteúdo. “Esse é o primeiro passo para saber o que a rede social está privilegiando. Quando não há regras, o que existe é a balbúrdia, e isso muitas vezes significa lucro para as plataformas”, conclui.

Fonte: Máxima Assessoria de Imprensa

 

 

 

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