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O recente conflito entre Irã e Israel causou impactos imediatos em diversos setores da economia mundial, inclusive no mercado de criptoativos. De acordo com dados do CoinMarketCap, o bitcoin, principal cripto do mercado, acumulou uma queda de 5,2% na última semana. Apesar de uma leve recuperação registrada na segunda-feira, 16, a oscilação ainda é alta e o ativo está com cotação atual na faixa dos US$ 103 milhões.
Para o advogado criminalista e especialista em criptoativos, Eduardo Maurício, o movimento segue um padrão já conhecido em momentos de crise geopolítica. “Sempre que há instabilidade, os investidores tendem a buscar ativos de proteção, como ouro e dólar. Nesse contexto, as criptomoedas sofrem liquidações expressivas, já que ainda são vistas como ativos de maior risco”, explica.
O especialista reforça que esse comportamento pode se transformar em conflitos prolongados. Com a imposição de sanções, bloqueios bancários e desvalorização das moedas locais, as criptos, como o bitcoin e as stablecoins, passam a ser utilizadas como alternativas práticas para garantir mobilidade, segurança patrimonial e continuidade de transações financeiras. “Elas deixam de ser apenas especulativas e passam a funcionar como instrumentos reais de sobrevivência econômica”, destaca.
Em situações extremas, como zonas de guerra, Eduardo recomenda que os investidores priorizem o uso de carteiras digitais com controle privado e façam transações por plataformas P2P (ponto-a-ponto), que dispensam intermediários bancários. “Esse modelo devolve autonomia ao cidadão e evita que seus ativos sejam bloqueados ou confiscados por instituições centralizadas”, afirma.
O cenário também reacende o debate sobre o papel das criptomoedas em crises internacionais. Mais do que uma tendência de investimento, o setor começa a se consolidar como alternativa viável à infraestrutura financeira tradicional, especialmente quando o acesso ao sistema bancário é restringido por fatores políticos ou militares.