Opinião

Os perigos em utilizar as redes sociais para reclamações de SAC

Difamar ou prejudicar alguém ou uma marca tem suas consequências

12 de maio de 2022

Por Rafaela Scrivano*

Temos visto cada vez mais usuários de redes sociais, em especial do LinkedIn, fazendo uso da ferramenta com o objetivo de Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). Em meio a atualizações de trabalho, posts sobre tendências e novidades, é cada vez mais comum nos depararmos com esse tipo de conteúdo.

Ainda não existe nenhuma regulamentação de lei para que um funcionário seja penalizado pela citação ou difamação de outra empresa, mas é necessário avaliar que tal atitude está intrinsecamente ligada à imagem corporativa do profissional e, indiretamente, da empresa onde ele trabalha. E que difamar ou prejudicar alguém ou uma marca tem suas consequências.

Observamos casos em que, por exemplo, uma empresa estava participando de uma concorrência (licitação é só com governo, concorrência é com empresas privadas, este caso) para atender determinado cliente, e o colaborador decidiu expor sua opinião desse futuro cliente (sem saber, claro!) e, com isso, negativou qualquer parceria futura. Esse tipo de atitude, muitas vezes intempestiva e imprudente, demonstra a necessidade de trazermos uma reflexão sobre danos morais que pode afetara reputação de um CNPJ.

Em um mercado no qual a marca tem seu valor e a marca empregadora ainda mais, as empresas não podem admitir que seus funcionários denigram, caluniem ou difamem outras empresas. Para reclamações sensatas há sempre os canais corretos para nos expressarmos. Por isso, vemos que é importante uma conscientização interna alertando que tal atitude pode prejudicar a empresa em que o funcionário atua.

De nenhuma maneira, queremos dizer que o colaborador não possa expressar sua opinião, mas é necessário cuidado com o que será registrado e, muitas vezes, compartilhado, tomando proporções imensuráveis que poderão manchar a imagem da empresa em que trabalha. É essencial falar de bom senso, respeito e utilização de ferramentas corretas para cada finalidade.

E podemos também expandir a recomendação para opiniões polêmicas em relação a posições partidárias, filosóficas, religiosas, de etnia, misóginas etc. Sempre o bom senso e o respeito devem ser os balizadores de nossas atitudes dentro e fora das redes, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional.

Nós, da área jurídica, temos o compromisso de alertar os nossos colaboradores e, também, usuários das redes sociais explicando que a internet não é uma terra sem lei. Da mesma forma que a mesma Constituição Federal que vale para a vida off-line, vale também para a online. Cuidar da reputação da nossa empresa é um papel de todos os que dela fazem parte, assim como a forma como nos comportamos é cuidado que deve estar dentro e fora das redes sociais, de forma, assim, mantermos a boa convivência das relações.

 *Rafaela Scrivano é advogada e Legal and Compliance General Director na Verisure Brasil

 

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