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Bolsonaro deve buscar pacificação, avalia advogada

Após conflitos, presidente passa a adotar discurso conciliador

29 de junho de 2020

Marcos Corrêa/Presidência

O presidente Jair Bolsonaro surpreendeu, na semana passada, ao adotar um discurso conciliador, diferente do que utiliza normalmente. As declarações ocorreram durante solenidade no Palácio do Planalto que simbolizou a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre o Executivo e o Judiciário. As partes acertaram a integração de sistemas conhecidos como “Corpus927” e “A Constituição e o Supremo” ao Portal da Legislação, site institucional com ferramentas de consulta.

Na ocasião, o chefe do Executivo afirmou que o país viveria suposto momento de “entendimento e cooperação” entre os poderes. “Esse entendimento e essa cooperação bem revelam o momento que vivemos aqui no Brasil”, disse.

“Eu costumo dizer sempre quando estou com o Toffoli e também com Davi Alcolumbre e o Rodrigo Maia, presidentes do Senado e da Câmara [respectivamente], que nós somos pessoas privilegiadas. O nosso entendimento, sim, em um primeiro momento, é o que pode sinalizar que teremos dias melhores para o nosso país”, completou.

Ao Correio Braziliense, a advogada Vera Chemim, mestre em direito público administrativo pela Fundação Getulio Vargas (FGV), avaliou que Bolsonaro deve seguir ouvindo os militares e controlando o contato da ala ideológica, que mais contribui para as dissidências e derrotas políticas do presidente. “O único braço do governo prudente e cauteloso é representado pela ala militar, cuja finalidade nos últimos tempos tem sido a de apagar os incêndios provocados pelo chefe do Executivo, especialmente os relacionados ao desprezo pela pandemia”, lembra.

“A fala de Bolsonaro dirigida aos outros Poderes, com um tom completamente diferente do habitual, acena para um ambiente de pacificação institucional e aparentemente livre de matizes político-ideológicas extremadas, próprias da ala radical de direita”, complementa.

Segundo Chemim, “a menos que Bolsonaro se deixe levar novamente pela ala radical ou perca o bom senso em razão de problemas judiciais dos filhos, pode ser que ele se enquadre na realidade sócio-política e se comporte, de fato, como um mandatário da República”. “É o que se espera, embora haja muitas dúvidas a esse respeito”, finaliza.

 

Foto: Marcos Corrêa/Presidência

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